Jessie J anunciou o lançamento de uma nova música “Believe In Magic” para o dia 29 de agosto. Confira abaixo um teaser e a capa oficial:

29 de agosto 🪄

Posso descansar, ser mãe e lançar música nova.

Não saí de uma grande gravadora depois de 18 anos para ter medo de reescrever as regras e adaptá-las à minha vida e à minha saúde — e tornar tudo mais realista sobre o que consigo entregar.

Ainda preciso fazer mais uma cirurgia este ano.
Eu consigo.

Criar uma criança pequena.
Eu consigo.

Lançar música nova.
Eu consigo.

Vai ser diferente do que eu planejei, mas a vida é assim, as coisas mudam: ou a gente entra em pânico e fica com raiva por não ser como ia ser, ou a gente se ADAPTA.

Estou apenas fluindo com a vida e dando o meu melhor. Em vez de parar, sumir e esperar pelo momento perfeito para lançar música de novo.

Nunca existe o momento perfeito.

Eu só quero que vocês tenham a música.

Então, vamos lá.

Com amor,
Jess x

Na segunda edição do The Town, o festival terá uma equipe treinada para acolhimento e suporte em diversas situações, incluindo atendimentos específicos para casos de ansiedade, pânico e outras necessidades, o festival contará com diversas ações de acessibilidade, como: Central de Acessibilidade, empréstimo de cadeiras de rodas manuais e motorizadas (Kit Livre), plataformas elevadas nos palcos para PCDs e grupos prioritários, brinquedos adaptados e com agendamento prioritário, sala sensorial, kits sensoriais, tradução em Libras, audiodescrição e diversos outros recursos que garantem uma jornada acolhedora e segura durante todo o festival.

Neste ano, inclusive, o número de plataformas elevadas de visibilidade foi ampliado, garantindo uma experiência ainda mais inclusiva e uma visão privilegiada dos cinco palcos do festival. Outra novidade é o novo local das duas ilhas de banheiros acessíveis, estrategicamente reposicionadas próximas à Central de Acessibilidade e à plataforma de visibilidade do Skyline, pensando estrategicamente no alcance do público PCD e visando uma experiência mais confortável.

O plano de acessibilidade do The Town 2025, que está disponível para o público no site e aplicativo oficial do festival, foi desenhado para atender pessoas com deficiência física, auditiva e visual, pessoas obesas, com síndromes variadas, com comorbidades, mobilidade reduzida, neurodivergentes, gestantes, pessoas idosas e lactantes. Logo na compra do ingresso pela Ticketmaster, o fã pode optar por adquirir meia-entrada PCD, com direito a uma meia-entrada adicional para acompanhante.

Quem deseja utilizar os serviços de acessibilidade já pode realizar o pré-cadastro online, no site do The Town, com envio de documentação comprobatória. O processo é opcional, mas altamente recomendado para agilizar o atendimento no festival. O cadastro é exclusivo para o titular do ingresso PCD, sujeito à análise e não se estende ao acompanhante.

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  • Empréstimo de cadeiras de rodas
  • Empréstimo de Kit Livre e Kits Sensoriais
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  • Brinquedos adaptados com agendamento na Central de Acessibilidade
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  • Tradução simultânea em Libras
  • Audiodescrição (inclusive nos cardápios!)
  • Banheiros adaptados e ilhas exclusivas PCD
  • Baixe o guia de acessibilidade || Faça o pré-cadastro

Jessie J falou pela primeira vez sobre o diagnóstico de câncer de mama em entrevista ao podcast “Great Company”, apresentado por Jamie Laing. No episódio, gravado em dois momentos diferentes, a cantora revela como descobriu a doença e compartilha os desafios vividos após a mastectomia.
Confira a entrevista traduzida:

[Jessie J]
 Ah, não… Eu queria muito contar, mas não sei se consigo.

[Jamie Laing]
 Por quê?

[Jessie J]
 Porque é algo muito grande que eu não contei para ninguém ainda.

Fui diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial há sete semanas. Eu não tinha planejado vir aqui e contar isso. Essa foi a primeira vez que falei isso para alguém no mundo.

[Jamie Laing]
 Então, Jessie, a gente gravou um episódio.

[Jessie J]
 Sim, gravamos.

[Jamie Laing]
 E agora você voltou.

[Jessie J]
 Muita coisa do que a gente conversou, especialmente sobre o câncer, eu percebi que a jornada ainda não estava completa.

[Jamie Laing]
 E como você está se sentindo?

[Jessie J]
 Oi, eu sou a Jessie J e estou de volta ao Great Company.

[Jamie Laing]
 Jessie J está aqui.

[Jessie J]
 Jessie J.

[Jamie Laing]
 Jessie J. Por que você não gostou do último episódio?

[Jessie J]
 Acho que eu cheguei num ponto em que pensei: “Vou falar sobre isso”, mas eu ainda não estava pronta. Eu só sabia o quão importante essa conversa era.

[Jamie Laing]
 É…

[Jessie J]
 Eu não posso ser a mãe que eu gostaria de ser. Sinto que o câncer me roubou memórias com meu filho. Eu chorei, tive medo, pensei: “Eu vou morrer”.

Teve momentos em que eu pensei: “Isso vai dar errado e eu vou morrer”.

[Jamie Laing]
 Quando você acordou da cirurgia, o que passou pela sua cabeça?

[Jessie J]
 “Cadê meu namorado?” Assim que abri os olhos e vi ele, eu desabei em lágrimas. Estava tão feliz por estar viva, ali na sala, de volta… e ter acabado.

Eu só quero dizer, pra encerrar isso, se alguém…

[Jamie Laing]
 Oi, pessoal, bem-vindos de volta ao Great Company Podcast. Estou muito animado para o episódio de hoje. Como vocês viram no trailer, é um episódio um pouco diferente porque temos Jessie J aqui.

Agora, é diferente porque são meio que dois episódios combinados. A Jessie participou do podcast antes e eu fui a primeira pessoa para quem ela contou que tinha sido diagnosticada com câncer — antes de isso vir a público. Tivemos uma conversa incrível, mas ela não se sentiu confortável em divulgar, porque ainda não estava pronta.

Ela não tinha um diagnóstico completo, estava nervosa, porque não sabia exatamente o que estava acontecendo, o que é totalmente compreensível. Então ela pediu para voltar.

O que fizemos hoje foi juntar os dois episódios. Então, talvez você perceba que ela está diferente em alguns momentos — e é porque são gravações diferentes.

Esperamos muito que vocês gostem. É um episódio muito especial e eu só quero agradecer à Jessie por ser uma convidada incrível.

Agora, antes de começar, posso pedir um favor? Só um favor: clica no botão de inscrever-se aqui. Isso ajuda demais, de verdade. Faz com que a gente continue produzindo o programa que vocês amam, trazendo convidados incríveis e mantendo tudo isso funcionando. Então, se puder fazer isso, seria ótimo.

Certo, vamos lá! Aproveitem esse episódio muito emocionante e especial do Great Company com Jessie J.

A maioria das pessoas, quando me encontra, diz:
— Nossa, você é muito mais baixa do que eu pensei!
E eu digo:
— Pois é, essa é a minha altura.

[Jessie J]
 Sério, eu nunca me olhei no espelho.

[Jamie Laing]
 Ou falam:
— Nossa, você é muito mais bonita do que eu imaginava.

[Jessie J]
 As pessoas me dizem isso o tempo todo: “Você é muito mais bonita pessoalmente”. E eu fico tipo: isso aqui não é real, não sou eu.

Não tem nada que alguém possa dizer para me ofender. De verdade. Eu e minha assistente entramos no Shade Room e nesses lugares onde as pessoas escrevem comentários bem pesados. Eu adoro isso! Fico rolando os comentários… No BAFTA, por exemplo, eu só queria ver o que as pessoas estavam falando.

E tinha um comentário:
“Ela parece uma professora lésbica de geografia que acabou de fazer um teste para The Mask”.
E eu pensei: é isso que eu quero ler! É isso que faz valer a pena. Eu ri tanto! Porque eu realmente parecia uma professora lésbica de geografia saindo de um teste para The Mask. Eu até achei um elogio. Nem sei onde fica a Inglaterra no mapa!

Temos que rir de nós mesmos. O trabalho que escolhemos é muito aleatório. Quando alguém me aborda na rua e fala as coisas mais absurdas, isso deixa minha vida muito mais interessante. Qual foi a coisa mais estranha que já disseram para você?

[Jamie Laing]
 Cara, as pessoas dizem as coisas mais bizarras para mim o tempo todo. Já me chamaram de Ellen DeGeneres várias vezes.

[Jessie J]
 Meu nome do meio é Ellen por causa da Ellen DeGeneres.

[Jamie Laing]
 Eles acham MESMO que eu sou ela.

[Jessie J]
 Meu nome é Jessica Ellen Cornish.

[Jamie Laing]
 Por causa da Ellen?

[Jessie J]
 Sim! Eu fico tipo: gente… Meu Deus!

[Jamie Laing]
 Eu acredito muito em energia, sou bem espiritual. Não sei se sou religioso… Fui muito à igreja quando era criança, mas hoje não sei se sou religioso, só sei que sou espiritual. Todas as noites eu me ajoelho e rezo. E todas as manhãs também.

Eu digo sempre a mesma coisa: “Obrigado por manter minha esposa, minha família e meus amigos felizes, saudáveis e em paz”. Eu agradeço por tanta coisa… Juro que isso limpa a alma.

[Jessie J]
 100%.

[Jamie Laing]
 Sem dúvida.

[Jessie J]
 Reconhecer as coisas boas da vida e não usar oração, fé ou espiritualidade só nos momentos ruins é fundamental. Dizer “obrigado pelo dia bom que eu tive” é tão importante quanto pedir ajuda nos dias ruins.

E acho lindo começar o dia com esse nível de gratidão.

[Jamie Laing]
 Mas quando coisas ruins acontecem, coisas realmente ruins, como manter essa gratidão?

[Jessie J]
 Eu tento ter perspectiva. Sempre vejo as coisas no quadro geral. Acredito que tudo que acontece comigo é para que eu possa ajudar outras pessoas a passar por isso também.

Pode parecer estranho, principalmente quando se trata da minha saúde, mas eu sinto que sou muito abençoada. Penso assim: você fica saudável por 180 dias e depois passa uma semana doente. A gente fica tipo: “Não acredito nisso”, mas na verdade, é uma porcentagem pequena comparada a todos os dias bons que você teve.

As pessoas focam no negativo porque todos queremos nos sentir bem. Então, quando passamos três meses tristes, parece muito, mas, no geral, tivemos um bom ano. É só se permitir sentir o que precisa sentir.

Quando passo por tempos difíceis, sinceramente, até gosto, porque penso: “Ok, algo está acontecendo. Preciso crescer. Estou aprendendo uma lição”. E depois escrevo músicas sobre isso.

[Jamie Laing]
 Essa é uma ótima maneira de ver as coisas. Porque quando estamos mal, tentamos lutar contra isso, mas, como você disse, é apenas uma fase. Só que é muito difícil pensar assim.

[Jessie J]
 É e não é. Acho que é libertador, mas é questão de perspectiva. Meus pais, por exemplo, faziam reuniões familiares todo fim de semana para conversarmos sobre nossos sentimentos. Meu pai era assistente social de saúde mental, minha mãe professora.

Usávamos muito humor, e isso ajudava muito. Acho que, para todas as grandes bênçãos da minha vida, também preciso de equilíbrio.

[Jamie Laing]
 Me explica isso.

[Jessie J]
 Ah, não… Eu queria muito contar, mas não sei se consigo.
Por quê? Porque é algo muito grande e pessoal que eu nunca disse a ninguém. Acho que este é o momento de compartilhar. Talvez eu chore, talvez não.

[Jamie Laing]
 Não tem problema se você chorar.

[Jessie J]
 Fui diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial há sete semanas. E não contei a ninguém.

[Jamie Laing]
 Cara, sinto muito.

[Jamie Laing]
 Então, Jessie, a gente gravou um episódio.

[Jessie J]
 Sim.

[Jamie Laing]
 E agora você voltou para gravar outro.

[Jessie J]
 Eu amei tanto que fingi que não gostei do primeiro para poder voltar.

[Jamie Laing]
 Por que você não gostou do último?

[Jessie J]
 Não é que eu não tenha gostado, mas muita coisa mudou no diagnóstico. E eu sabia como essa conversa era importante. Percebi que ainda não estava no momento certo. Senti que devia a mim mesma esperar um pouco para poder falar sobre isso com mais clareza.

[Jamie Laing]
 E como você está se sentindo agora?

[Jessie J]
 Dez de dez. Estou bem.

[Jamie Laing]
 Acho que você sempre diz que está bem, né?

[Jessie J]
Não, eu tenho meus dias. Ontem mesmo chorei porque sinto falta do meu menino. Não posso ser a mãe que eu gostaria de ser. E isso me faz sentir roubada. Acho que essa é a parte mais difícil: sentir que o câncer me roubou memórias com meu filho. Quem tem um bebê sabe o quanto eles mudam rápido. Você pisca e, de repente, ele já está falando.

[Jamie Laing]
 Você disse que estava um pouco ansiosa com o que tinha falado da última vez, e eu meio que entendo isso. Você veio aqui e estava nessa fase mental, tinha acabado de ser diagnosticada.

[Jessie J]
 Sim. Acho que… eu fui diagnosticada no dia 31 de março.

[Jamie Laing]
 Isso. Foi por essa época.

[Jessie J]
Na verdade, não, foi em maio. Foi tipo oito semanas depois que eu vim aqui, certo?

[Jamie Laing]

Sério?

[Jessie J]
Sim. Quase dois meses depois.

[Jamie Laing]
E parecia que era a primeira vez que você contava isso para um estranho.

[Jessie J]
Foi a primeira vez que eu contei isso para alguém no mundo — além dos meus amigos e família — da forma como seria uma coisa pública.

Foi assustador? Não, na verdade foi muito bom.

E eu consigo ouvir que eu estava… com adrenalina correndo pelo meu corpo. Mas também acho que era porque eu… se eu for honesta, como posso dizer isso?

Sempre que você recebe um diagnóstico assim ou passa por algo desse tipo sendo uma pessoa pública, as pessoas meio que te entregam uma bandeira para você levantar na frente da fila, representando todo mundo que está atrás.

[Jamie Laing]
Sim.

[Jessie J]
E eu senti que estava nesse piloto automático, fazendo isso com o câncer de mama, quando, na verdade, eu só queria estar lá no fundo da fila, olhando para alguém que já tivesse passado por isso e que tivesse conhecimento e compreensão para fazer isso por mim.

E acho que, quando ouvi o jeito que eu falava, parecia que eu já tinha passado por tudo — e eu não tinha. E eu queria me permitir sentir mais medo e tristeza.

[Jamie Laing]
Como você explica isso para a família? Porque eu acho que… quando algo assim acontece e você recebe um diagnóstico desses, a sua reação imediata e eu notei isso quando você me contou pela primeira vez… é recorrer ao humor. Porque você quer… você quer…

[Jessie J]
Até agora.

[Jamie Laing]
É. Até agora você ainda tenta tornar engraçado. Tipo: “Vamos levar pro humor, não quero que as pessoas fiquem tristes”.

[Jessie J]
Sim. Acho que o humor sempre foi a minha coisa. Não acho que eu use isso como um mecanismo de defesa. Acho que é a minha personalidade.
Mas isso não significa que alguns dias não sejam horríveis.

[Jamie Laing]
É.

[Jessie J]
Sabe… e eu não deixo as pessoas mais próximas entrarem muito… Nossa, isso soou estranho.

[Jamie Laing]
As pessoas mais próximas percebem o que você está passando.

[Jessie J]
Minha mãe sabe, meu namorado sabe, algumas das minhas melhores amigas sabem. O mundo todo não precisa ver isso o tempo todo.

[Jamie Laing]
É. Mas eu só quero dizer uma coisa porque, não sei por quê, depois da última vez que conversamos, eu senti uma… soa brega, mas eu senti uma conexão real com você. E eu não sei por quê, juro por Deus.
Não sei por quê. E isso vai soar brega, mas… você não precisa ser forte.
Nossa, vou começar a chorar.

Mas você não precisa ser. E acho que você foi diagnosticada com câncer, depois falou comigo sobre isso e estava brincando, fazendo piada, o que eu entendo. Essa seria minha primeira reação também.
E depois você passou por todo esse processo, e nós vamos falar sobre isso, mas você ainda está nesse momento agora.
E eu sinto que você ainda pensa: “Não, temos que seguir em frente, continuar”.

[Jessie J]
Sabe o que é? Acho que eu já tinha tido dois meses para processar tudo.
Então, quando falei com você, eu já tinha chorado, já tinha ficado com medo, já tinha pensado: “Eu vou morrer”.
Teve momentos em que pensei: “Isso vai dar errado e eu vou morrer”.
E tive esses momentos.
Acho que qualquer pessoa diagnosticada com câncer, em qualquer nível, ou com qualquer coisa que a gente não conhece, tem esse medo. Naquele momento eu não sabia se ia precisar de um tratamento extenso, o que seria exatamente.
Então, quando ouvi a gravação, quase me senti culpada, como se eu tivesse roubando das pessoas — fãs, amigos, família — o tempo para processar isso, porque eu sabia que, quando saísse publicamente, seria logo depois da nossa conversa. E não daria tempo para eles absorverem.

Na verdade, foi algo que meu assessor de imprensa me disse — parece clichê, mas ele só estava fazendo o trabalho dele — quando falou: “As pessoas se importam muito com você, Jess. Isso vai machucar muita gente”.
E isso não é algo que eu tenha que administrar, mas eu sentia que, pelo jeito que eu falei, parecia que eu estava bem, porque eu já sabia há oito semanas.
E ainda estava fazendo exames, ainda tinha resultados que chegaram depois da nossa última conversa, que mudaram algumas coisas que a gente tinha falado. Então eu não dei a eles a chance de processar.
Faz sentido?
Acho que talvez seja por isso que eu já estava levando para o humor, porque eu já tinha passado pela fase do medo e da tristeza.

[Jamie Laing]
Mas também, é isso que acontece quando… bom, vamos falar dos últimos dois meses. Da última vez que nos encontramos, você tinha sido diagnosticada. E, desde então, você fez cirurgia.

[Jessie J]
Quando te vi, nem lembro direito em que fase eu estava. Acho que ainda estava no processo. O último exame que fiz foi um teste genético.
Então, basicamente… o que isso significa?
Eu encontrei um nódulo, fui me consultar. Eles disseram: “Conseguimos sentir e ver o nódulo, mas no ultrassom parece tudo normal”.
Então eles falaram: “Vamos te encaminhar para uma mamografia. Ou você quer fazer logo uma biópsia?”.
E eu disse: “Bom…”.

[Jamie Laing]
E o que é uma mamografia?

[Jessie J]
É quando eles basicamente esmagam seu seio dentro de uma máquina.

[Jamie Laing]
Nossa.

[Jessie J]
Basicamente, eu acho que é tipo… não quero dizer que é um raio-x, mas é como se eles fizessem uma imagem, sabe? Então, de lado… eu nem conseguia encaixar meu peito na tela. Foi literalmente como tentar fechar a porta com um damasco coberto de iogurte dentro.

E eu tava tipo… ela falou: “Você consegue colocar mais um pouquinho?” E eu: “Gente, não sobrou nada. Já foi tudo, não tem mais peito!”

E eu e a enfermeira estávamos chorando de tanto rir. Ela falava: “Tá tudo bem, querida? Tá indo bem?” enquanto eu me segurava na máquina.

Sério, ela: “Dá pra ir mais?” E eu: “Não tem mais o que colocar.”

E eu ria tanto… E ela: “Tenta ficar parada!”

[Jamie Laing]
E o que estava passando pela sua cabeça nessa hora?

[Jessie J]
Tá, deixa eu voltar ao que eu tava falando antes.

[Jamie Laing]
Senão a gente se perde e eu faço o que sempre faço.

[Jessie J]
Então, eu fiz o ultrassom e deu tudo certo. A sorte foi que me mandaram fazer a biópsia antes, porque a mamografia também deu normal. Se eu tivesse feito a mamografia depois, talvez nada tivesse sido descoberto.

Tipo, talvez eu nem tivesse feito mais exames depois disso. E aí a situação teria piorado.

[Jamie Laing]
Nossa.

[Jessie J]
Piorado muito.

[Jamie Laing]
Isso pode acontecer?

[Jessie J]
Claro que pode. E eu tenho plena consciência de que sou muito sortuda por poder pagar um plano de saúde privado.

[Jamie Laing]
Uau. Eu nem sabia que…

[Jessie J]
É, normalmente o protocolo é: ultrassom, mamografia, e aí vê se precisa de algo mais.

[Jamie Laing]
Entendi.

[Jessie J]
Como meu tecido mamário ainda é relativamente jovem, parecia tudo saudável. Foi isso que me disseram, não tô inventando.

[Jamie Laing]
Claro.

[Jessie J]
Mas, por causa dos sintomas… meu braço doía muito, parecia feito de chumbo. E eu sempre sentia formigamento toda manhã.

Tipo, quando eu acordava, minha mão estava dormente. Todo dia.

[Jamie Laing]
E por quanto tempo foi isso?

[Jessie J]
Uns cinco meses.

[Jamie Laing]
E você não foi ver isso antes? Só acordava assim?

[Jessie J]
Sei lá… é que eu tava malhando, então achei que era só cansaço.

Achei que fosse por causa dos treinos. E eu me sentia saudável, tava bem.

Então, não pensei muito sobre isso. Achei que era muscular, bobeira minha.

E eu tava ocupada. Me preparando pra um monte de coisa. Tinha acabado de voltar dos EUA.

Tava de mudança. Tenho um bebê pequeno.

[Jamie Laing]
Ou seja, vivendo a vida, né?

[Jessie J]
Exato. Aí, por causa disso, resolveram fazer logo a biópsia. E só tinham vaga no dia 28 de março — que foi no dia seguinte ao meu aniversário.

E eu pensei: “Vamos lá. Hora de vestir a roupa de mulher adulta. Tenho 37. Vamos ser corajosa.”

Aí, por acaso, resolvi gravar tudo. Me filmei indo pro exame, falando que tinha achado um caroço.

Filmei a biópsia, meu namorado estava lá comigo. E ela disse: “Se não for uma boa notícia, eu te ligo na segunda-feira.” E eu: “Tá bom.”

Acho que foi numa sexta. Depois, meu namorado e meu filho foram pra Dinamarca passar uma semaninha, e eu fiquei em casa.

[Jamie Laing]
Você passou o fim de semana nervosa? O que você estava sentindo?

[Jessie J]
Não, não, não. Eu só continuei fazendo as coisas da minha lista de afazeres.

[Jamie Laing]
Uau.

[Jessie J]
É que eu não consigo… não fico me preocupando com coisas que ainda não aconteceram. Não adianta.

[Jamie Laing]
Eu acho que isso me consumiria o fim de semana inteiro.

[Jessie J]
Não vale a pena, porque até você receber a notícia, você só tá gastando energia à toa. Eu estava trabalhando — conversando com o pessoal do BAFTA, cheia de reuniões.

Tava em tudo quanto é canto. Estava com o Spotify, com a Apple, a gente tava preparando um lançamento. Ninguém sabia o que estava acontecendo.

Eu nem tinha contado pra minha equipe que tinha feito uma biópsia. Eu só pensava: “Vai dar tudo certo.” Eles literalmente tinham me dito: “Vai ficar tudo bem. É só um cisto. Não parece nada grave.”

Aí eu tinha acabado de sair de uma ligação com o pessoal do BAFTA, falando da minha apresentação, e a médica me mandou uma mensagem: “Você pode entrar no Zoom rapidinho?” Então eu pensei: “Ah, não é nada. É só um Zoom.”

Mas era segunda-feira. E já eram seis da tarde. Então eu pensei: “Ok…” Entrei na ligação.

Aí ela falou: “Você está sentada?” E eu, tipo… sentei. E ela disse: “Sinto muito, mas os resultados mostraram células cancerígenas de grau alto.”

E eu simplesmente comecei a chorar. Essa foi a minha reação — totalmente normal, sabe?

Não é como se eu estivesse fazendo piada, nada disso. Reagi como qualquer pessoa reagiria. Simplesmente desabei.

Acho que porque eu estava 100% convencida de que não era nada. Todo mundo tinha me dito isso. Até meus amigos — os poucos que sabiam que eu tinha feito biópsia — falaram: “Ah, vai dar nada. Minha amiga fez mês passado e foi só um susto.”

Então eu também acreditei nisso. Nem cogitei que pudesse ser algo sério. E aí, claro, eles te dão o resultado e depois falam: “Entraremos em contato.”

E você fica ali tipo: “Tá… e agora?”

Aí eles me chamaram pra fazer uma ressonância magnética. Aquilo foi horrível, super claustrofóbico.

E na ressonância da mama, você tem que ficar de bruços, com os seios encaixados tipo num “baldezinho”. Literalmente um baldezinho. E no final eles injetam um contraste, e aí conseguem ver tudo direitinho.

Acho que fiquei lá uns 25, 30 minutos. Eles perguntam que música você quer ouvir, mas você tá deitada de bruços, olhando pra um fundo de plástico.

Aí eu escolhi Bob Marley — porque foi o que eu ouvi quando dei à luz. Então era eu, Bob Marley e a máquina. A gente até pode ter falado disso da outra vez.

Mas os dois ao mesmo tempo… Foi tipo: “Everything’s gonna be alright…” e eu lá deitada, pensando: “No que eu foco? Na máquina ou no Bob Marley?” Tive que me acalmar mentalmente pra não ter uma crise de pânico.

[Jamie Laing]
Sei bem como é isso.

[Jessie J]
Aquilo foi uma das piores partes de tudo isso.

[Jamie Laing]
Sério?

[Jessie J]
Horrível. Eu odeio ressonância. Me sinto super claustrofóbica, não podia me mexer, os braços levantados, e eles só falavam: “Respira fundo… tenta ficar parada.”

[Jamie Laing]
E você tentando não entrar em pânico, segurando tudo por dentro…

[Jessie J]
Aí eles perguntaram: “Quer que a gente te dê algo pra te acalmar?” E eu: “Não, não é pra mim isso.”

Eu pensei: “Quer saber? Vou encarar essa ressonância na raça.” Literalmente disse isso: “I’ll raw dog the MRI.” Tá brincando?

[Jamie Laing]
 Você não… você simplesmente…

[Jessie J]
 Nada. Eu odeio qualquer coisa, tipo melatonina. Eu não gosto de nada disso.

Gosto de sentir o que estou sentindo e lidar com isso do meu jeito.

[Jamie Laing]
 Admiro isso, Jessie.

[Jessie J]
 Então, fiquei lá deitada, fiz a ressonância. E quando os resultados chegaram, mostraram que eu tinha entre quatro e meio, cinco centímetros de câncer, e um caroço na parte de baixo.

E também tinha mais aqui (aponta) e na parte de cima.

Aí, seguindo o conselho de várias pessoas, decidi buscar uma segunda opinião. E encontrei um médico de quem gostei muito.

Ele quis refazer alguns exames e também analisar o outro câncer que tinham encontrado, pra confirmar se era o mesmo tipo do primeiro.

Essa biópsia foi feita na noite anterior ao meu show no Ronnie Scott’s — aquele showcase para a indústria. E foi aí que eu estava com dor, muito desconfortável.

Eu já tinha escolhido minha roupa e, sinceramente, não tive energia pra mudar. Então dava pra ver os curativos. Eu tentava não levantar o braço.

[Jamie Laing]
 E mesmo assim você foi lá e fez o show.

[Jessie J]
 Sim, porque eu queria. Estava tão empolgada.

Sabe o que eu disse lá no começo? Uma parte de mim sente que eu passo por essas coisas pra escrever música.

E também acho que os problemas de saúde já estavam “escritos”, que já iam acontecer. Mas talvez aconteçam justamente enquanto estou lançando música, pra que a alegria de trabalhar me ajude a encarar a dor.

Faz sentido? Você tem ideia do quanto eu amo o que eu faço? Isso aqui não é tipo, “ah, vou sair pra uma turnê qualquer”.

É algo que eu realmente amo.

Amo me conectar com as pessoas, amo cantar, amo criar música, compor canções. Amo fazer as pessoas sentirem alguma coisa.

Então, isso me ajudou a seguir em frente.

Depois da ressonância, fiz a mamografia — que foi hilária. Eu e a enfermeira caímos na gargalhada.

[Jamie Laing]
 Por quê?

[Jessie J]
 Por causa de eu não conseguir… né, aquilo de tentar colocar o peito na máquina [risos].

[Jamie Laing]
 E mentalmente, como você estava se sentindo nessa altura? Você seguia em frente como se nada estivesse acontecendo?

[Jessie J]
 Eu estava tão ocupada com o trabalho que, pra ser sincera, nem tive tempo de processar tudo direito.

[Jamie Laing]
 Você acha que isso é bom? Talvez até ajude?

[Jessie J]
 Tem seu lado bom e ruim. E é um dos motivos pelos quais eu quis contar ao mundo.

[Jamie Laing]
 Sim.

[Jessie J]
 Mas eu não sabia quando contar. Eu gravava os vídeos, mas não tinha tempo de editar e postar. E depois eu pensava: “Eu nem quero editar isso.”

Mas aí me perguntava: “Como vou transformar tudo isso num vídeo de 30 segundos?” Pra explicar tudo?

E aí, ou eu fazia piada ou começava a chorar. Eu literalmente gravei uns 16 vídeos em dias diferentes.

Tipo: “Tenho cinco minutos entre uma entrevista e outra… deixa eu contar o que está acontecendo.”

E aí eu acabava falando como se fosse uma entrevista, porque eu estava nesse ritmo de divulgação.

[Jamie Laing]
 Você não conseguia sentir, né?

[Jessie J]
 Exato. Ficava tudo desconectado. Aí eu pensei: “Deixa acontecer de forma mais natural.”

[Jamie Laing]
 Posso te fazer uma pergunta sobre isso? Porque acho que você é como a maioria de nós — completamente viciada em trabalho.

Você ama o que faz. Ama tanto que, mesmo passando por tudo isso, você pensa: “Não dá pra parar agora. Eu preciso continuar.”

[Jessie J]
 Sabe quando você trabalhou tanto pra chegar até aquele ponto? Tipo, não foi algo que surgiu em duas semanas, “vamos lançar uma música”.

Foram anos construindo tudo de novo — reconstruindo as bases da minha vida: minha equipe, meu conforto, minha autoestima, meu valor… e reencontrando a alegria nas coisas. Essas músicas tinham cinco anos!

Eu passei por tudo: saí da gravadora, enfrentei toda a parte legal…

E aí eu pensei: “Eu não vou simplesmente deixar isso de lado e ficar em casa chorando, só porque é isso que as pessoas esperam que eu faça.”

E quando eu te encontrei…

[Jamie Laing]
 Sim?

[Jessie J]
 Foi logo antes do Summertime Ball.

[Jamie Laing]
 É mesmo. Foi uma mistura de tudo ali.

[Jessie J]
 Eu sabia, em algum momento, que eu queria fazer um podcast ou uma entrevista que me forçasse a contar. E eu não tinha planejado vir aqui e contar isso pra você.

[Jamie Laing]
 É mesmo?

[Jessie J]
 Mas se você ouvir o começo do episódio, parece que você foi meio que… guiado pra me preparar pra contar.

[Jamie Laing]
 Sério! Mas eu não sabia de nada.

[Jessie J]
 E quando eu comecei a falar, eu não tinha me preparado pra isso.

[Jamie Laing]
 E a gente tinha acabado de se conhecer, então eu realmente não fazia ideia.

[Jessie J]
 Sim, sim. Mas aí eu pensei: “Como é que você lida com coisas difíceis na vida?” E comecei a falar… foi tipo um vômito verbal, sabe? Porque chega uma hora que você só quer falar.

[Jamie Laing]
 Entendo totalmente.

[Jessie J]
 Era como se fosse uma aba aberta na cabeça, sabe? E você tá tão desesperada pra contar pra alguém… Eu sabia que queria falar sobre isso, mas ainda não estava pronta pra falar da forma como acabei falando.

[Jamie Laing]
 E isso foi só há oito semanas, né? E desde então, você teve… um novo diagnóstico?

[Jessie J]
 Um novo médico. Não foi um novo diagnóstico, exatamente.

Mas foi quando eu entendi melhor o que estava acontecendo. Descobri que havia mais câncer ao redor da mama do que eu imaginava.

E aí precisei fazer testes genéticos, que demoram umas quatro semanas e meia pra ficarem prontos.

Acho que foi nesse período que falei com você. Eu estava esperando saber se carregava algum gene de câncer de mama.

E isso ia determinar se eu faria uma mastectomia simples ou dupla.

Eu já sabia que essa mama seria retirada. E essa outra, eu mantive porque não carrego os genes.

A médica genética me disse: “É só azar mesmo.” Foi isso.

[Jamie Laing]
 Quando você compartilhou o diagnóstico nas redes sociais… qual foi a reação?

[Jessie J]
 Foi tão linda.

[Jamie Laing]
 Eu vi. Foi incrível.

[Jessie J]
 Sabe o que foi mais bonito? É que eu acredito no amor, na alegria, na bondade das pessoas, em querer cuidar umas das outras.

Mas a mídia sempre foi um pensamento que ficava martelando na minha cabeça…

[Jamie Laing]
 Mesmo assim, você estava lá, com o diagnóstico de câncer, fazendo o Summertime Ball, fazendo o Ronnie Scott’s…

[Jessie J]
 Mas, olha, qualquer pessoa no mundo — eu juro — eu gostaria que todo mundo que já recebeu um diagnóstico assustador pudesse sentir o que eu senti naquele dia no Summertime Ball.

Aquilo não teve nada a ver com eu ser a Jessie J. Foi só um monte de gente querendo me dar um abraço.

Ah, sério… quando eu assisto aquele vídeo de novo, eu sempre choro. Porque dá pra ver. Não era a Jessie J ali — era a Jessica.

Quando eu disse no palco: “Esse é meu último show antes de ir vencer o câncer de mama.”

E eu fiz uma carinha meio assim… porque eu nunca tinha dito isso em voz alta antes. Nunca tinha dito pra ninguém daquele jeito.

E aí, oito mil pessoas simplesmente explodiram em alegria, em amor. E eu pensei: “Tá, agora vou cantar essa música…” porque eu sabia que se eu parasse pra sentir, eu ia desabar.

Mas aquela sensação… aquela euforia, aquela energia…

As pessoas ali, minha equipe, minha família, meus amigos, desconhecidos, jovens, idosos… cartazes dizendo: “A gente te ama”, “Você vai vencer isso”, “Já venci três vezes”, “Tamo junto”.

Foi… foi um yikes (suspiro de emoção).

[Jamie Laing]
 Nossa, isso me pegou aqui…

[Jessie J]
 E não era por eu ser “a famosa”. Não era a Jessie J recebendo esse amor. Era porque as pessoas são boas.

[Jamie Laing]
 Sim.

[Jessie J]
 E eu senti que, quando fui anestesiada, aquela foi a cena que ficou na minha cabeça.

Porque foi um amor… um amor inimaginável que eu recebi naqueles 25 minutos no palco.

Naquele momento… meu Deus. Foi esmagador, mas ao mesmo tempo, era como se eu estivesse vivendo a minha melhor vida.

Sabe? Aí veio Price Tag, e ver todo mundo curtindo, cantando…

No fim das contas, somos todos humanos tentando sobreviver a essa loucura chamada vida.

[Jamie Laing]
 E quando você acorda da cirurgia… o que passa pela sua cabeça?

[Jessie J]
 “Cadê meu namorado? Cadê ele?” Sério…

Quer saber qual foi a pior parte pra mim?

[Jamie Laing]
 Diz.

[Jessie J]
 Eu fiquei menstruada na manhã da cirurgia.

[Jamie Laing]
 Ah não…

[Jessie J]
 Então imagina… meu humor já tava uma porcaria, né? E aí me fazem vestir aquela calcinha transparente ridícula. Aquilo não cobre nada! Ainda mais com menstruação pós-parto — que, olha, não é brincadeira.

Então eu já tava tipo: “Beleza… vou ter que simplesmente estar aqui assim mesmo.”

Meu namorado tava tipo: “Quer um chocolate?” E eu não podia comer! E ele ali só tirando onda comigo…

[Jamie Laing]
 Claro, porque tem que ficar tipo 12 horas em jejum, né?

[Jessie J]
 É. E eu só tentando fazer piada, levar na boa… Mas a cirurgia atrasou um pouco por causa de um contratempo.

Então, no fim das contas, eu já estava há tipo 16 horas sem comer quando me levaram.

[Jamie Laing]
 Nossa, você devia estar morrendo de fome.

[Jessie J]
 Sim! E aí eles te fazem caminhar até lá, né? Quando você não tá passando mal…

[Jamie Laing]
 É verdade.

[Jessie J]
 E parece um episódio de Black Mirror, sério.

[Jamie Laing]
 Total. E com aquele aventalzinho que tem um buraco atrás…

[Jessie J]
 Exatamente, sua bunda balançando no vento, passando no corredor cheio de gente. E você só: “Oi… não reparem.”

[Jamie Laing]
 E o povo pensando: “É a Jessie J?!”

[Jessie J]
 [Risos] Literalmente isso. E aí você anda até aquele lugar que parece um freezer da Costco, né? Tipo aquele corredor gelado de supermercado.

E aí falam: “Relaxa.” E eu tipo: “Irmão, isso aqui não é meu ambiente de trabalho.”

Começam a me ligar em mil cabos, e eu deitada ali, e na hora… comecei a entrar em pânico. Meu corpo começou a tremer todo.

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Quando eu fico em pânico, eu tremo mesmo. Tipo, se sua esposa for fazer cesárea…

[Jamie Laing]
 Sim?

[Jessie J]
 Se prepara, porque depois da cesárea o corpo treme incontrolavelmente.

[Jamie Laing]
 É mesmo? Por quê?

[Jessie J]
 É adrenalina, os remédios, hormônios… Não sei exatamente, mas seu corpo começa a tremer muito.

E foi o que aconteceu comigo. Eu estava deitada, e o anestesista tentando colocar a agulha na minha mão, e eu tremendo.

E ele falou: “Sua veia está escapando.” E eu: “Então qualquer hora dessas seria ótimo, viu?”

Aí ele foi me conectando a tudo, e disse: “Agora vou te dar o remedinho da felicidade.” — que é pra relaxar.

E eu sempre falei com minha mãe: tem alguma coisa que acontece antes de te colocarem pra dormir que eu odeio.

[Jamie Laing]
 Tipo quando tudo escurece de repente?

[Jessie J]
 Não, não. É antes disso. Tem uma sensação que vem antes de apagar que eu não gosto.

E eu fico tipo: “É um analgésico? O que é isso?” Agora eu sei: é o tal do “remédio da felicidade”.

[Jamie Laing]
 E ele não te deixa feliz?

[Jessie J]
 Não! Ele falou: “Vou te dar o remedinho agora.” E assim que entrou na minha veia, eu falei: “NÃO.”

Eu tava deitada e falei: “Não! Me apaga agora, pelo amor de Deus.”

Tipo: “Me coloca pra dormir AGORA.” Desculpa o palavrão, mas eu falei: “Me bota pra dormir caralh! Não tô curtindo essa parada!”

E ele: “Calma, é só relaxar.” E eu: “Não, doutor! Me apaga, amor. Eu não tô aqui pra isso.”

[Jamie Laing]
 [Risos] Não mesmo.

[Jessie J]
 “Eu não tô aqui pra isso, amor!” Depois me senti mal, até pedi desculpa quando acordei da cirurgia.

Porque eu disse: “Me bota pra dormir AGORA, caralh*!”

[Jamie Laing]
 [Risos] Mas, pô, olha tudo que você estava passando…

[Jessie J]
 Sim… Aí ele me colocou a máscara de oxigênio e, nesse momento, eu fiquei repetindo mentalmente um vídeo do meu filho dizendo…
“Eu te amo, mamãe”, aquela gravação que ele fez de manhã e que minha mãe me mandou. Aí eu fiquei repetindo ele dizendo “Eu te amo, mamãe”, e eu respondendo “Eu também te amo”.
“Eu te amo, mamãe.” “Eu também te amo.”
Acho que eu disse isso umas seis vezes.
E aí eu dormi. Eu achei que você fosse me fazer chorar.

[Jamie Laing]
É…

[Jessie J]
E eu estava pensando no Summertime Ball, naquele momento de tipo… só alegria e amor.
Foi nisso que pensei enquanto adormecia. E aí quando eu comecei a recobrar a consciência… eu filmei, na verdade.
Eu vou mostrar no final. Eu pareço maluca. Literalmente, eu tô assim [gesto].
E lembro de ficar meio fora de mim, mas ao mesmo tempo um pouco presente. E eu dizia:
“Cadê a avó dela? Cadê a avó dela?”
Não, o meu namorado. Cadê ele?
Porque eu ouvia as enfermeiras falando, e eu só queria ele ali.
E assim que eu… ai, vou me emocionar. Assim que eu abri os olhos e vi ele, eu simplesmente comecei a chorar.
E ele filmou.
Ele apoiou a câmera de um jeito que eu pudesse assistir depois.
Eu tava tão feliz por estar viva, por estar ali no quarto, ter passado por tudo aquilo… nunca vou esquecer.
Aí eu olhei pra baixo e tinham colocado um curativo ao redor de tudo, só com os mamilos de fora.
E eu fiquei tipo: “Por que meu mamilo…?” Meu mamilo tava… parecia um peso!
Tipo, parecia… parecia um seio que tinha passado um tempo na cadeia.

[Jamie Laing]
Parecia um mamilo que ficou acordado a noite inteira!

[Jessie J]
Sim! E foi a primeira coisa que eu falei: “Não, meu mamilo, só…”

[Jamie Laing]
E eu fui embora (rindo).

[Jessie J]
Um mamilo que foi preso! Literalmente e então, é, eu já estava fazendo piada logo depois de acordar da anestesia, e ele filmou.

[Jamie Laing]
Que cara incrível. Tipo, claro, a gente espera que ele estivesse lá te apoiando, mas mesmo assim…

[Jessie J]
Ah, ele dormiu numa caminha ao lado da minha e não quis ir embora.
Eles falavam: “Você não precisa ficar.”
E eu: “Amor, você não precisa ficar.”
E ele: “Eu não vou embora.”
Aí fiz a cirurgia, voltei pro quarto por volta das nove da noite.

[Jamie Laing]
Sim.

[Jessie J]
Foi bem atrasado. Eu deveria ter descido pra cirurgia bem cedo, mas atrasou. Então voltei bem tarde.
A anestesia ainda tava no meu corpo quando eu acordei no dia seguinte.

[Jamie Laing]
É muita coisa.

[Jessie J]
É, mas até que foi bom. Achei que tava tudo certo.
Acordei e pensei: “Beleza.” Me levantei, tomei um banhozinho, alisei o cabelo de novo, me vesti e ia sair pra dar uma volta.
O médico entrou e perguntou:
“O que você tá fazendo?”
E eu: “Vou dar uma voltinha.”

[Jamie Laing]
E ele: “Não vai, não.”

[Jessie J]
“De jeito nenhum.” Ele falou: “Senta.”
Tipo, ele disse: “Você vai precisar de outra cirurgia hoje à noite se ficar andando por aí.”
“Você pode ter um coágulo de sangue se se mexer demais.”
Ele falou: “Tem uma ferida aberta aí embaixo.”

[Jamie Laing]
Tipo, você literalmente tá com isso…

[Jessie J]
É. Ele falou: “Eu sei que você tem um implante aí, mas… tudo ainda tá se ajustando.”
“Quando a anestesia e os analgésicos saírem do seu corpo, vai ser difícil por alguns dias.”
Então, é, eu desci por dois segundos, voltei e me rendi ao repouso.

[Jamie Laing]
E agora, como você tá?

[Jessie J]
Tô bem.

[Jamie Laing]
É?

[Jessie J]
Sim, tô bem. Fiz a cirurgia faz quatro semanas.
Então ainda é bem recente.
Acho que ainda tô falando meio vaga sobre tudo…
Consigo falar da parte que já aconteceu e não vai mudar.

[Jamie Laing]
Você tá descansando?

[Jessie J]
Tô, sim, quer dizer, pra mim, descansar é tipo… não dirigir.
Mas não posso pegar nada pesado.

[Jessie J]
 Ok, nada acima de… acho que dois quilos, o que nem é tão pesado, né?
Quanto é dois quilos mesmo?

[Jamie Laing]
 É pouquinho. Você não pode levantar nada com mais de dois quilos. Tipo, dois quilos é como um litro de leite.

[Jessie J]
 É, não, é ridículo. Tipo, eu tô pegando várias coisas… tô empurrando as coisas com o pé, mas provavelmente tô fazendo mais do que outras pessoas fariam.
Mas eu sinto que tô bem.

[Jamie Laing]
 Mas dois quilos é tipo metade de um bebê recém-nascido. É isso — metade de um bebê.

[Jessie J]
 Alguém te falou isso agora?

[Jamie Laing]
 Alguém acabou de me dizer.

[Jessie J]
 Ah, tá. Que bizarro. O iPad das informações.

[Jamie Laing]
 Apareceu sozinho! Eu só falei e apareceu.

[Jessie J]
 É… ok…

[Jamie Laing]
 Mas você colocou…

[Jessie J]
 Tipo, cada bebê é de um jeito, né? Metade de qual bebê, exatamente? Todos eles?
Tipo, de um bebê médio? Sei lá.
Eu adoro como sua cabeça foi pra esse lugar. Isso nem é um fato real!
Quem tá te mandando mensagem?

[Jamie Laing]
 Então você tá chutando coisas e se mexendo bastante?

[Jessie J]
 Não, não tô chutando nada. Não mesmo.
Tô descansando e fazendo bastante fisioterapia, sabe?
Só tentando deixar as coisas mais práticas aqui em casa.
Me preparando porque, obviamente, eu vou fazer uma segunda cirurgia pra igualar e também ajustar esse lado que não ficou exatamente certo.
Tô me preparando pra isso.

Sobre minha saúde, eu tô bem.
Ainda sinto dor. Ainda tá bem sensível.
Tô super inchada desse lado aqui, porque eu fiquei com um dreno por duas semanas. Era tipo uma garrafinha cheia de sangue.

[Jamie Laing]
 Hmm…

[Jessie J]
 É, eu sei. Meu filho ficava pedindo pra beber! Ele dizia: “Ah, Sky, toma, mamãe.”
E eu: “Não, amor, isso é sangue da mamãe.”
Ele: “Suco, mamãe!”
E eu tentando explicar: “Olha, tá saindo da mamãe.”
E ele: “Sky quer.” “Sky quer mamãe.”
E eu tipo: “Não, bebê…”

[Jamie Laing]
 Ai…

[Jessie J]
 Ai, meu docinho. Tô morrendo de saudade dele.
Enfim, ainda tá bem dolorido.
Tô fazendo fisioterapia ainda. Nem cheguei na consulta de seis semanas, aquela que diz: “Agora tá tudo bem.”
Tipo, como quando você tem um bebê e vai ao médico depois de seis semanas, sabe?
Sei que tô falando como se todo mundo tivesse tido filho, e eu detesto isso.
Mas é a única coisa com que consigo comparar.
Tipo, você vai na consulta de seis semanas e o médico libera: “Pode voltar a fazer exercício leve.”
Tô esperando por isso. Faltam duas semanas.

Mas, sério, eu tô bem. Tô mesmo.
Pra mim, o mais estranho é que esse seio ainda tá pequeno. E é esquisito, porque eu sou super aberta.
Aí todo mundo fica tipo: “Olho ou não olho?”
Porque esse aqui, claramente, é o do implante.
É tipo um cobertor em cima do forno. Sabe? Tipo uma manga debaixo do lençol. Eu sei.

E falar de música… isso é bem importante, na verdade.

[Jamie Laing]
 Com certeza. Eu adoraria falar disso.

[Jessie J]
 Então, o plano era lançar um single tipo um mês atrás.

[Jamie Laing]
 Aham.

[Jessie J]
 Só que aí, quando tudo isso aconteceu, a gente meio que evitou falar sobre… mas ao mesmo tempo, não.
E aí eu cheguei à conclusão de que queria lançar dois singles seguidos, tipo fiz com No Secrets e Living My Best Life.
Mas aí pensei: “As pessoas vão ficar tipo, ela tá bem mesmo?”
Se eu lançar uma música logo depois da cirurgia?

[Jamie Laing]
 Tipo, vão achar que você tá meio fora da realidade.

[Jessie J]
 Pois é. Então percebi que precisava realmente tirar uma pausa.
Porque teria sido literalmente uma semana depois da cirurgia.

[Jamie Laing]
 Nossa, é muito pouco tempo.

[Jessie J]
 É. Então a gente esperou um pouco.
E agora, obviamente, algumas coisas vão precisar mudar…

[Jessie J]
 No final do ano… ainda estamos decidindo e tentando entender. E eu odeio isso.
Mas é o que é. Não posso mudar o que está acontecendo, eu só preciso me curar.

Eu tinha uma música chamada “Believe in Magic”, que escrevi em 2022, quando estava grávida.
E o refrão diz:

“Se eu morresse hoje, queria saber que eu vivi, que não desperdicei meu tempo sendo amarga. Todas as pequenas coisas que consertam um coração partido. Abra os olhos e você verá o que pode acontecer. É preciso acreditar na mágica.”

E agora, quando eu canto e escuto essa música… tipo, a primeira estrofe diz:

“Cansada de chorar logo cedo, cansada do detox, cansada de falar. Eu levanto, eu apareço, dia após dia. Só queria ouvir Sade.”

E agora, quando eu ouço, eu fico tipo… é isso.
Você sente raiva, esperança, e aquela sensação de “a vida é tão boa, é só olhar pra cima”.
E eu só sinto que é a música certa pra eu compartilhar.

E sabe, acho que não tem mais “formato”. Eu não quero mais me sentir presa a uma estratégia de marketing.
Sim, isso é importante…
Mas eu sinto que, se as pessoas sentirem que é autêntico, vai funcionar.

A segunda música que eu ia lançar… não está certa.
Então eu não vou lançar.

[Jamie Laing]
 Eu amo isso. Eu amo como você lida com a criatividade.
É tão bom porque, olha… a maioria das pessoas sente que precisa lançar coisas o tempo todo.

Teve uma história que li esses dias — é aleatória, mas se conecta.
O cara que criou as lojas da Apple, né? Ele fez todo o conceito das Apple Stores.
Aí o Steve Jobs chegou e perguntou pra ele:
“Você acha que elas estão boas?”

E o cara disse:
“Não, ainda não.”

Então o Steve falou:
“Então não abre. Não lança.”

É isso. A gente acha que precisa lançar tudo rápido.
Mas, na verdade, o melhor é segurar até sentir que tá realmente pronto.

[Jessie J]
 E também, só… ser real.
Se eu lanço uma música que… mesmo eu amando a música que ia lançar, tem coisas acontecendo no mundo e tem coisas que eu não quero cantar agora, e outras que eu quero cantar.

Eu preciso cantar sobre o que estou sentindo agora.
E por isso que “No Secrets” e “Living My Best Life” foram as duas primeiras — porque eu sentia que eu estava literalmente cantando a minha vida.

[Jamie Laing]
 Isso é extremamente autêntico.

[Jessie J]
 Até a letra de Living My Best Life diz:

“Chega de lágrimas, não vou perder tempo ficando triste hoje à noite.”

E eu cantei isso sabendo que eu estava com câncer de mama — e ninguém sabia.

Sabe o que eu quero dizer?
Depois de todos esses anos… finalmente, eu estava vivendo minha melhor fase.

E, assim… já é comprovado cientificamente que ouvir música que te levanta ajuda o corpo a se curar.
Não cura, mas ajuda.
Tipo, se você tá deprimido e escuta música feliz, isso muda tudo.

Então, sair pra cantar essa música foi tão útil pra mim.

[Jamie Laing]
 Se alguém estiver ouvindo isso agora, e estiver passando por algo — ou alguém próximo, tipo um familiar ou amigo — qual conselho você daria?

[Jessie J]
 A única coisa que realmente me ajudou… é que eu filmei tudo.
Eu não sei ainda o que vou fazer com esse material.

[Jamie Laing]
 Mas eu mal posso esperar! Você precisa fazer algo com isso.

[Jessie J]
 Filmei tudo… tipo, sabe o que é louco?

[Jamie Laing]
 Você tem que transformar isso num documentário. Você precisa mostrar isso pro mundo.

[Jessie J]
 Ah… tem muito peito. [risos]

[Jamie Laing]
 [Risos] Eu imagino.

[Jessie J]
 Quer dizer… também nem é tanto assim.
Mas sabe como é, né?

Eu filmei chorando mesmo, sendo totalmente honesta, sem segurar nada.
Falando exatamente o que eu sentia, por mais sombrio que fosse.
E aí, sempre que eu assistia depois, eu pensava: “Tá, eu nunca mais me senti tão mal assim.”
Então eu via que estava progredindo.

[Jamie Laing]
 Documentar tudo isso… passar por esse processo e depois mostrar isso pras pessoas vai ser muito poderoso.

[Jessie J]
 Sim… é louco, né?
Agora é uma em cada duas pessoas.

[Jamie Laing]
 Uma em duas. É surreal.

[Jessie J]
 Quero terminar dizendo:
Se alguém aí foi diagnosticado com câncer, ou está passando por tratamento, ou conhece alguém que está…

Eu tô com você.
Te mando um abraço.
Muita energia boa.

Não tem muito o que se dizer…
Mas saiba que eu tô com você.

[Jamie Laing]
Quando você era criança e tinha esses problemas de saúde… você tinha aquela condição do coração, como se chama mesmo?

[Jessie J]
Síndrome de Wolff-Parkinson-White.

[Jamie Laing]
Explica o que é.

[Jessie J]
 Então… eu não sei muito bem, pra ser honesta. Meu pai também tem [essa condição], e meu avô teve.
Na verdade, ele faleceu por causa disso — já faz uns seis, sete anos, eu acho.

Mas ele era baterista, então teve tipo quatro ataques cardíacos, e ainda assim dizia:
“Acho que é só gases”, porque ele tinha um corpo bem forte, tipo, parte de cima bem pesada.

Mas somos de Essex, sabe? É tipo: “Quer que eu pare? Não. Vou continuar.”
 A gente simplesmente segue em frente.

Quando eu era mais nova, me afetava bastante. Eu desmaiava com frequência, então eu não podia brincar na rua.
Fui meio que protegida demais, sabe? Envolvida em algodão.

Fiz um procedimento chamado ablação, onde eles colocam dois fios pelo ombro e dois pela virilha pra tentar “resetar” o ritmo do seu coração.
Lembro que, quando acordei, meu pai disse:
“Não funcionou. Então você pode parar de chamar atenção.”

E eu tinha nove anos.
Esse tipo de humor sarcástico é o que eu cresci ouvindo — e passou pra mim, pras minhas irmãs… todas somos assim.
Você tá rindo porque conhece meu pai.

[Jamie Laing]
 Então você só… lida com isso e segue em frente?

[Jessie J]
 Segue em frente.

Eu usava um monitor cardíaco na escola — não um marca-passo, tá? Um monitor mesmo.
Ia pra escola com aquilo preso em mim, só… vivendo.

Tomei betabloqueadores por muito tempo, e eles me deixavam verde.
Tipo, de verdade. Eu fiquei conhecida como “alienígena” na escola.

Aí eu escrevi uma música sobre isso — e ganhei muito dinheiro.
Então… fuck you, motherfuckers.

Mas, sinceramente, eu parecia um coelho.
Tinha os dentes grandes, era verde. Eu mesma zoaria se me visse.

Você tá aí pensando: “Verde? Como assim?”
 Mas é sério — um dos efeitos colaterais do remédio me dava um tom esverdeado.

E eu tinha aqueles dentes de criança, sabe? Tipo “dente de TV widescreen”, com a cabeça do tamanho de uma ervilha.
Essa era eu por um bom tempo.

[Jamie Laing]
 Você se sentia meio deslocada na escola?

[Jessie J]
 Sim. Eu sempre fui meio deslocada.

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Mas eu meio que gostava.
Eu tava no canto da sala escrevendo poemas sobre todo mundo, enquanto o resto brincava de Tamagotchi, sabe?

E eu lá, tipo: “O que é a vida?”

Eu era tipo essa coelha verde, escrevendo poema, meio maluquinha.
E você aí, o tempo todo pensando: “Não acredito que cortei meu cabelo igual a essa garota esquisita.”

Mas enfim…
Minha vida foi muito diferente, bem cedo. Tipo, estar no West End com nove anos, depois ir pra escola, depois pro hospital, depois outra coisa acontecendo…

Sempre parecia que eu tava passando por coisas que ninguém ao meu redor entendia.

[Jamie Laing]
 Você teve que amadurecer rápido.

[Jessie J]
 Sim.

Passei por tantas coisas que eu não conseguia conversar com as pessoas sobre.
E é por isso que me senti tão conectada ao mundo quando engravidei.
Foi tipo: “Finalmente, algo com que eu posso me relacionar com as pessoas.”

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Sim! Finalmente consegui ter uma conversa “normal”.
Porque fama… não é normal.
Você sabe como é.

[Jamie Laing]
 Bom, não no seu nível, mas…

[Jessie J]
 Não, é tudo igual. Fama é fama.
Se alguém chega e diz:
“O que você tá fazendo aqui em Shangebreeze?”
 Como você responde?

[Jamie Laing]
 Tô comprando comida?

[Jessie J]
 Exato. Tipo, não sei o que responder. É uma armadilha?
Tô aqui porque preciso de um absorvente, sei lá. O que quer que eu diga?

[Jamie Laing]
 “O que você tá fazendo aqui?”

[Jessie J]
 Comprando.

[Jamie Laing]
 [Risos]

[Jessie J]
 Teve uma vez, num voo, que alguém me perguntou:
“Você esteve aqui o tempo todo?”

E eu fiquei tipo:
Sim.
 Mas tive vontade de responder:
“Não queria me gabar, mas eu posso voar. Vim voando sobre Paris.”

[Jamie Laing]
 [Risos] Mas voltando à época da escola…

 

[Jessie J]
 Sim.

[Jamie Laing]
 Deve ter sido meio difícil, né?

[Jessie J]
 Foi, sim. Ser zoada, ser intimidada, foi horrível.
É horrível.

[Jamie Laing]
 Mas… zoada até que ponto?

[Jessie J]
 Não foi nada extremo, sabe? Mas era aquele tipo de bullying de apelido, de pisar no pé, me empurrar, me xingar…
Não era legal.

Mas ao mesmo tempo, eu tive uma infância ótima, cheia de amigos. Só que, olhando hoje, eu percebo que…
Tinha muita criança que era muito boa em outras coisas, bem melhor que eu.

Eu nunca fui boa em matérias da escola, por exemplo.
Meu pai sempre dizia: “Você é articulada, mas meio burrinha”.

Tipo, eu sabia escrever um poema bonito — mas tava tudo escrito errado, sem gramática nenhuma.

E até hoje é assim.
Tem erro de ortografia numa das minhas próprias letras — tá escrito “don’t loose” em vez de “don’t lose”.
Mas é isso, faz parte de quem eu sou. Tá no meu DNA.

Quando eu era criança, por causa das situações em que eu me envolvia, eu acabava mostrando meus talentos muito nova.
E muitos dos outros colegas ainda nem tinham tido essa chance.

Então, parecia que eu queria me exibir — mas eu só tava sendo eu mesma.
E aí eu tentava esconder o que eu fazia bem, pra não deixar os outros desconfortáveis.

[Jamie Laing]
 Sério? Você fazia isso porque já sabia que…

[Jessie J]
 É, eu era bem consciente.
Sabia que algumas crianças não gostavam de mim porque eu cantava bem.

Então às vezes eu nem ia pras audições.
Ou fazia de propósito algo mais ou menos.

[Jamie Laing]
 Você fazia isso com medo da reação delas?

[Jessie J]
 Sim.
Eu pensava: “Se eu mandar bem demais, elas não vão gostar de mim”.
Era uma coisa que eu sentia muito forte.

Mas ao mesmo tempo, as pessoas sentiam pena de mim, porque eu tava sempre doente.

[Jamie Laing]
 E o que você aprendeu passando por esse problema do coração quando era criança? O que isso te ensinou?

[Jessie J]
 O que eu aprendi?
Que eu sou resiliente.
Que eu preciso cuidar do meu corpo.

A vida que eu tenho hoje é um presente, então não dá pra desperdiçar.

Eu nunca usei drogas.
Nunca bebi.
Nunca fumei.

As pessoas às vezes dizem: “Nossa, sua voz é incrível! Como você nunca perde a voz?”
E eu falo: “Porque eu sou super rigorosa. Tenho disciplina.”

E isso veio muito dessa vivência.
Me deu essa proteção, sabe?

Eu pensava: “Se eu ficar bêbada, posso ter uma convulsão, meu coração pode disparar…”
Então eu simplesmente nunca entrei nessa.

[Jamie Laing]
 Eu teria entrado, viu.

[Jessie J]
 (risos) Pois é.

Mas eu também sempre fui muito confiante.
E hoje em dia, vejo muitos jovens que se sentem pressionados a fazer certas coisas.

Você precisa se manter firme, ser você mesma.
Muita gente me fala: “Não acredito que você não bebe!”
E eu falo: “E eu adoro isso!”

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Amo.

[Jamie Laing]
 Vou lembrar disso hoje.
Porque isso é muito difícil mesmo, especialmente pra gente nova — ter essa confiança de dizer “não vou fazer isso”, “não vou seguir esse caminho”, “vou fazer o meu”.
Quem te ensina isso? Como você aprende?

[Jessie J]
 Minha mãe, com certeza.

Ontem mesmo, eu abracei ela e falei:
“Você não tem ideia do quanto é especial.”

Ela criou eu e minhas irmãs pra sermos fortes, pra sermos a gente.
E hoje, vendo como ela é com meu filho — como avó e como mãe — percebo ainda mais o quanto ela é incrível.

E agora, voltando a esse mundo da fama, esse caos todo, eu vejo que eu nunca fui de dizer sim pra tudo.

Talvez por isso me chamavam de diva ou de difícil antigamente.
Porque eu sempre fui do tipo que dizia:
“Não, isso não tem nada a ver comigo.”
“Não vou dar essa entrevista.”
“Não me sinto segura com isso.”
“Não quero ficar sozinha com esse cara.”

E aí diziam: “Ah, ela é complicada.”

[Jamie Laing]
 Uau.

[Jessie J]
 Era sempre assim. Bem no começo da minha carreira.

[Jamie Laing]
 Eu não fazia ideia disso.

[Jessie J]
 Pois é.
E a mídia ajudou a reforçar isso também.

[Jamie Laing]
 Tudo porque você se impunha?

[Jessie J]
 Sim, sempre fui assim. E até hoje, quando sento pra conversar com algumas amigas minhas — especialmente mulheres que também estão na indústria — muitas dizem:
“Agora finalmente aprendi a dizer não.”

E eu penso:
“Eu nunca tive esse problema.”
Se fosse pra eu dizer “não”, eu dizia na hora.
Eu era tipo: “Você tá maluco? Eu não vou fazer isso.”

A garota de Essex em mim falava alto, sabe?

Hoje eu percebo que foi exatamente por isso que me rotularam de tudo quanto é coisa — especialmente em certos lugares, até no Reino Unido.

Mas agora, olhando pra trás, fico feliz por ter me mantido fiel a quem eu sou.

[Jamie Laing]
 Tem algumas coisas aí que eu queria explorar. Primeiro: você acha que te chamaram de “diva” só porque você é mulher? Tipo, se fosse um homem se impondo, você acha que teria o mesmo rótulo?

[Jessie J]
 Acho que homens também são chamados de diva — só que com outra palavra.
Eles são chamados de “babacas”, enquanto as mulheres são chamadas de “difíceis”.

Mas, na real, quando te chamam de difícil, é porque a outra pessoa não é capaz de entregar aquilo que você tá pedindo ou esperando. É mais sobre a limitação deles do que sobre você.

[Jamie Laing]
 Como era o seu pai?

[Jessie J]
 Ah, ele é a pessoa mais engraçada do mundo!

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Juro! Ele devia ter um podcast. Tinha que ser comediante.

[Jamie Laing]
 E você se dá melhor com qual dos dois — pai ou mãe? Ou é mais parecida com quem?

[Jessie J]
 Sou literalmente os dois. Minha mãe e meu pai, sou uma mistura perfeita.

Meu namorado até fala:
“Quando os dois estão por perto, dá pra ver que você é os dois.”

Tenho o senso de humor e a conexão social profunda do meu pai — ele se conecta de verdade com as pessoas.

E da minha mãe eu tenho a paciência. Ela é tipo um gato, sabe?
Não se apega de cara, mas vai se aproximando devagar, silenciosamente. Fica ali do lado, só confortando com a presença.

Não tô dizendo que eu sou assim também, imagina!
Tipo, já pensou eu entrando num lugar como um gato? (risos)

Mas todo mundo diz:
“Tua mãe não gosta de mim.”
E eu respondo:
“Ela gosta sim. Ela só tá observando.”

Meus pais são completamente opostos. E isso é maravilhoso.

[Jamie Laing]
 Quais momentos da sua vida realmente te definem — não os grandes sucessos que todo mundo vê, mas os que são mais seus?

[Jessie J]
 O nascimento do meu filho. Sem dúvida.

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Nossa, você não faz ideia do quanto eu me senti orgulhosa de mim. Foi tipo… uau!

Você tem filhos?

[Jamie Laing]
 A minha esposa tá grávida, sim.

[Jessie J]
 Ahhh! Preciso te dar um abraço! Essa é a melhor notícia do mundo!
Parabéns, de verdade!
E aí, como você tá se sentindo?

[Jamie Laing]
 Eu ainda não contei.

[Jessie J]
 Eu sei que ele já transou com a cadeira. Ai, meu Deus. E você também sabe que não viu minha bunda.

[Jamie Laing]
 Quer dizer, se eu vi, eu… sei lá, eu só sinto como se pudesse ter visto. É.

[Jessie J]
 Não, não. Isso é literalmente do que a vida se trata. Como você tá se sentindo?

[Jamie Laing]
 Eu me sinto…

[Jessie J]
 Bom, eu tô toda esquisita.

[Jamie Laing]
 Eu tô super animado. Sério, tô me sentindo incrível. Eu tava morrendo de medo.

[Jessie J]
 É assustador, né?

[Jamie Laing]
 Foi horrível. E eu só… eu quero ajudar. Quero que ela tenha um bebê saudável e feliz.

[Jessie J]
 Ela tá de quantas semanas?

[Jamie Laing]
 Dez semanas. E ela tem ficado bem ansiosa.

[Jessie J]
 Ah, imagino.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 E essa é a parte mais difícil. O começo.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 Do início até as 12 semanas é quando o corpo dela vai trabalhar mais.

[Jamie Laing]
 Entendi.

[Jessie J]
 Ela tá criando tudo agora — os pulmões, tudo.

[Jamie Laing]
 Eu só quero estar exausto também.

[Jessie J]
 E você vai estar, por causa desse comentário aí.

[Jamie Laing]
 Sério?

[Jessie J]
 Se você quer ser um bom pai, vai estar. Porque você se importa. É isso.
Bons pais se preocupam em serem bons pais.

[Jamie Laing]
 Me conta. Me fala do seu filho.

[Jessie J]
 Ele é… Ai, queria que você pudesse conhecê-lo, porque ele é o menino mais engraçado e mágico.
Sério, é como se fosse o seu coração andando por aí.
É uma chance de refletir sobre você mesmo, de olhar pra dentro.
Tipo, “o que eu quero ensinar pra esse ser humano?”
“O que eu preciso deixar pra trás?”
Será que minha irritação tá dizendo algo que eu quero que ele aprenda?
Não.
Aí você tenta não ser tão irritado.
E você cresce com isso. Vai mudar completamente a sua vida.
É… é a melhor coisa que eu já vivi.

[Jamie Laing]
 Uau.

[Jessie J]
 E aí ele nasceu há uma semana. Ele é simplesmente o melhor. Eu posso te mostrar o vídeo, se você quiser ver.
Não é nada sangrento. Eu fiz uma cesárea, mas mal dá pra ver alguma coisa. Você só vê ele sendo puxado pra fora.
E estava tocando Bob Marley. Era isso que você tinha colocado também?
Sim, eu tinha Bob Marley tocando.

Eu estava preparada para um parto natural.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 Então, eu fiz esse negócio chamado epi-no. Posso até te passar uma lista.

[Jamie Laing]
 Nossa, eu ia adorar.

[Jessie J]
 É bem útil. Assim você não precisa usar o epi-no agora, seria estranho.
Não precisa alongar a sua vagina. Meu Deus. Então, é tipo um balão que você coloca dentro, vai enchendo até o tamanho da cabeça de um bebê, e aí você “dá à luz” a ele todas as noites.
Eu tinha feito isso até o final.

[Jamie Laing]
 Então eu teria que dar à luz a um balão toda noite?

[Jessie J]
 É, porque a parte mais difícil é a cabeça. Depois os ombros praticamente escorregam. Mas, no fim, eu acabei tendo uma cesárea.
E eu até falei pra minha esposa: “Nossa, fiquei com um vestido de festa bem estranho”. Mas o ponto é: a gente planeja tudo.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 Mas, no fim das contas, é o bebê que decide como vai vir ao mundo. E isso já mostra um pouco da personalidade dele. É lindo, na verdade, ter essa disciplina, essa inspiração de amar seu corpo, suas células, sua parceria. É tão bonito.
Principalmente depois de você ter passado por um aborto espontâneo antes.

[Jamie Laing]
 Sim. Imagino que tenha sido horrível.

[Jessie J]
 É horrível pra qualquer pessoa que passa por isso. Não tem jeito fácil.

[Jamie Laing]
 Minha melhor amiga, que foi minha madrinha de casamento, passou por alguns.
E quando ela me contou da primeira vez, tirou meu fôlego. Eu não estava preparada pra ouvir. A gente simplesmente não pensa nisso. Mas a partir daí você aprende, e acaba ficando ansiosa.

[Jessie J]
 Sim, muda completamente depois que você passa por um aborto espontâneo. No meu caso, eu estava sozinha. Três semanas depois eu conheci meu namorado atual.
E sete meses depois eu engravidei. Essa experiência fez eu valorizar cada pequeno momento da gravidez que chegou até o fim. Foi a coisa mais mágica.
Eu aproveitei tudo.

E te digo: assim que sua esposa começar a mostrar a barriga e quiser contar pro mundo, fala pra ela curtir, acariciar a barriga, tirar todas as fotos, esquecer os comentários. Porque, se existe um grupo que adora julgar, são mães e pais — todo mundo tem opinião. Mas, no fim, é tudo projeção.
Ignorem. É a experiência dela, o corpo dela, o sentimento dela.

E quando você já passou por isso, ou mesmo se não passou mas conhece alguém de perto qu[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 Em qualquer momento pode acontecer. E você precisa se preparar para isso, mas sem se apegar a esse medo.

[Jamie Laing]
 Esse é o difícil, porque não é fácil. Como é que você consegue viver a gravidez com o seu filho agora sem ficar com medo?

[Jessie J]
 Eu não consegui, pelo menos nos três primeiros meses. Eu estava um caos.
Eu me convencia de que, toda vez que ele não chutava por um tempinho, já era.
Fazia ultrassom o tempo todo — e, felizmente, eu podia pagar por isso.

E agora eu falo disso do outro lado. Eu digo isso no palco, digo em entrevistas.
Sinto tanta culpa por ter ficado tanto tempo do lado das pessoas que sofrem, que têm dificuldade para engravidar ou que perderam filhos. E agora eu não estou mais desse lado. Mas, ao mesmo tempo, estou.
É estranho. Eu carrego essa culpa enorme, porque aconteceu comigo… mas tem gente que talvez nunca vá conseguir.

E isso parte meu coração. Porque eu conheço pessoas que merecem tanto ser pais, que querem tanto, mas não conseguem. Enquanto há tantas outras que não querem, não ligam, não cuidam — e acabam tendo. Isso me despedaça.

[Jamie Laing]
 Você sempre quis ser mãe?

[Jessie J]
 Sempre. Eu sempre fui a “mãe” do meu grupo de amigos. Sempre tive esse lado maternal. Minha vida inteira.

[Jamie Laing]
 Eu não. Mas você falou — acho que já disse em algum lugar — que quando teve o aborto, você foi fazer um show logo depois.

[Jessie J]
 Sim. No dia seguinte.

[Jamie Laing]
 Caramba.

[Jessie J]
 É.

[Jamie Laing]
 E mesmo assim você parece que simplesmente continua, segue em frente.

[Jessie J]
 É que eu acho que as pessoas esquecem que “Jessie J” é só o nome da marca.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 Mas a Jessica é tudo isso. Essa sou eu.
Seja indo ao médico, passeando com meu filho, jantando com meu namorado ou subindo ao palco — sou a mesma pessoa em quase todas as situações.

Só que o nome “Jessie J” faz parecer que eu me transformo em outra coisa. Mas, pra mim, eu subi no palco como Jessica, só que com “Jessie J” escrito na porta.
Eu fui trabalhar, fazer meu show, mesmo tendo perdido um bebê na noite anterior.

e passou, você entende: sempre existe o risco de algo dar errado.

[Jamie Laing]
 Então você pode se tornar aquilo, e aí já vira quase outra coisa.

[Jessie J]
 Não, tudo existe ao mesmo tempo.

[Jamie Laing]
 Tudo existe ao mesmo tempo.

[Jessie J]
 Exato. Eu não vou fingir que não estou passando por isso, mas também não vou deixar que a dor seja tão grande a ponto de me impedir de fazer meu show. Foi um show emocional.
Era um show pequeno, íntimo. Eu lembro de entrar no palco e todo mundo estava em silêncio. Aí eu disse: “E aí, como vocês estão se sentindo hoje à noite?”
E todo mundo quieto. Então eu falei: “Podemos rir, gente. Tá tudo bem.” E aí choramos juntos, e eu cantei minhas músicas.

Mas acho que as pessoas não têm noção de como aquilo me levantou. Só que eu morava em Los Angeles sozinha. Engravidei sozinha.
Perdi o bebê sozinha. Fiquei seis dias sozinha até minha irmã conseguir vir. Minha mãe não estava bem o suficiente para viajar.
Isso foi a parte mais difícil. Eu tinha amigos, claro, mas… o que eu nunca tinha parado pra pensar é que: você perde o bebê, mas ainda precisa perder o bebê.
Na minha cabeça era como se ele simplesmente desaparecesse. Mas não, ele tem que sair.

[Jamie Laing]
 Eu não fazia ideia de que algumas pessoas precisam passar por isso.

[Jessie J]
 Sim, você precisa passar por cirurgia. Mas depende da fase em que você está. Às vezes você toma comprimidos e eles esperam que aconteça naturalmente.
E se não acontece, você precisa ir pra cirurgia. No meu caso, acabei passando por uma curetagem de emergência — acordada.

[Jamie Laing]
 O que é curetagem?

[Jessie J]
 Eu não quero entrar em detalhes, mas foi a pior dor que já senti na vida. Foi brutal.
Eu saí gritando, quase esmagando a mão da minha irmã. Eu nunca falei sobre isso antes, mas foi tão intenso…
Minha irmã disse: “Ainda bem que eu estava lá”. Porque só ela entende aquele momento, só ela viu o que eu passei.

Nunca vou esquecer: quando saí para a sala de espera, uma das enfermeiras disse: “Tem várias mulheres grávidas ali fora”.
E eu respondi: “Você tem ideia de como eu fico feliz por elas não estarem passando pelo que eu passei?”
Quando aconteceu comigo, eu estava com tanta raiva, mas ao mesmo tempo eu via uma grávida na rua e queria abraçá-la e dizer: “Que bom que está tudo bem com você”.

[Jamie Laing]
 Nossa, que forma incrível de enxergar as coisas.

[Jessie J]
 Minha dor não tira a alegria de ninguém.

[Jamie Laing]
 Você sente tudo profundamente, não é? Dá pra perceber. E isso é lindo, de verdade. Nunca perca isso. É uma das coisas mais bonitas.
Então, quando você está apaixonada, deve sentir isso ainda mais.

[Jessie J]
 É além de tudo. É difícil até explicar. Minha mãe sempre me disse: “Se apaixone o máximo de vezes que puder, profundamente. Vai dar certo ou não. Mas nunca deixe de se jogar.”
E eu nunca deixei.

Só que, de novo, tem a fama. Às vezes você só vai jantar com alguém e tiram fotos. E aí já inventam coisas.
E eu fico tipo: “Não, não, não, calma. Eu só queria fazer um boquete, não era nada tão profundo.” (risos)
Desculpa, Sonny. Ele já deve estar mandando e-mail pro RH, e o pessoal de PR pedindo demissão. Eu sei exatamente o que você quer dizer.

Nem sempre é tão sério. Mas tem vezes em que é, sim. Só que não dão valor suficiente, e eu fico: “Não, não, isso não é só o namorado da Jessie J. Esse é o amor da minha vida. Vamos colocar respeito nesse nome. Ele é o pai do meu filho.”

[Jamie Laing]
 Vamos nessa.

[Jessie J]
 Né? Essa é a vibe.

[Jamie Laing]
 Eu simplesmente amo isso.

[Jessie J]
 Sim. Eu gosto de apoiar as pessoas, de celebrá-las.
Eu até falei isso pra minha banda nos ensaios. Eles perguntaram: “Mas e você?”.
E eu disse: “Vocês têm ideia da alegria que eu sinto em ver as pessoas curtindo a vida, fazendo bem o seu trabalho, sendo pais, estando em um relacionamento e realmente aproveitando, sendo bons nisso?”
Se eu posso dar essa paixão, se eu posso passar o holofote pro meu baterista e dizer: “Vai!”, e ele brilha… eu vivo pra esses momentos.

[Jamie Laing]
 É isso. Aproveita.

[Jessie J]
 Toca um solo de seis minutos, corta uma música se for preciso. Esse é o momento! Eu amo isso.
Eu gosto de garantir que as pessoas recebam o reconhecimento que merecem.

[Jamie Laing]
 Onde você conheceu seu namorado?

[Jessie J]
 No Rite.[Jamie Laing]
 Sim, funciona. Eu até tentei me inscrever. Quando entrei pela primeira vez, era um app de namoro bem exclusivo.
Me inscrevi e eles responderam: “Não, de jeito nenhum”.

[Jessie J]
 (risos) Pois é, mas você pode sempre dar uma corrida, a gente sabe que você gosta disso.
Falando sério, eu realmente tive dificuldade no começo.

[Jamie Laing]
 Eu adoro que você mantenha isso como parte da sua história. É a melhor coisa. Amo isso.

[Jessie J]
 É, é o que é. Ele estava em Nova York na mesma época que eu, e foi por isso que acabei vendo ele — o que é até romântico.
Não chegamos a nos encontrar pelo app. Eu só tinha visto ele lá e, meio “stalker”, fui segui-lo no Instagram, já que o aplicativo conecta com o Insta.

[Jamie Laing]
 Aham.

[Jessie J]
 Então eu segui ele no Instagram. Eu tinha acabado de sofrer o aborto espontâneo.
Eu estava em Nova York com uma amiga, e ela me disse: “Vai, não desiste do amor. Você não precisa passar por isso sozinha”.
E eu realmente senti que esse foi o motivo do meu aborto — como se a energia do universo estivesse me dizendo: “Você merece viver isso com alguém”.

[Jamie Laing]
 Isso vai acontecer com você. Com certeza.

[Jessie J]
 E aconteceu sete meses depois. Levei a gravidez até o fim, sem nenhuma complicação.
Pra mim, era como se a alma do meu bebê ainda estivesse ali, e está até hoje. Como se ele tivesse dito: “Não, não quero esse pai. Quero esse aqui. Quero esse cara.”
É assim que eu sinto de verdade. E dá pra ver — ele e meu filho são inseparáveis, como dois grãos de ervilha na mesma vagem.

[Jamie Laing]
 Isso é tão lindo.

[Jessie J]
 É. E é exatamente assim que eu sinto.

[Jamie Laing]
 Então você estava em Nova York.

[Jessie J]
 Sim, em Nova York. Eu e minha amiga no hotel. Eu tinha ido numa viagem meio “cura da alma”, pra sair da minha própria cabeça, sabe? Era época de Natal.
Tinha acabado de passar pelo aborto. Então fui viajar, dar uma respirada, e quem sabia, sabia.
E minha amiga disse: “Vamos lá, volta pro app”. Eu: “Nem pensar, acabei de perder um bebê, não vou abrir o Riot agora”.
Ela insistiu: “Vai, garota, vamos dar uma olhada”. Então comecei a deslizar e pensei: “Hmm, esse é bonitinho”.

Ele organizava um acampamento de basquete pra crianças na Dinamarca. Eu adorei isso.
Um homem sem filhos — o que poderia ser tanto uma bandeira vermelha quanto uma bandeira verde. A gente chega numa certa idade e fica pensando: “Será que isso é bom ou ruim?”.
Segui ele. Mas logo pensei: “Não, ele viu tudo o que eu passei publicamente. Ele não vai querer lidar comigo, com minha fama, com tudo isso.” E deixei de seguir.

Só que não conseguia parar de pensar nele. Ele voltava sempre na minha cabeça. Então pensei: “Ok, vou seguir de novo”.
E aí ele me mandou mensagem: “Você é muito fofa pra ficar nesse jogo de seguir, deixar de seguir, seguir de novo, sem falar o que realmente quer”.

E eu fiquei tipo um cachorrinho prestes a pular na piscina, sabe? Toda animada.
Odeio isso quando alguém no Instagram percebe antes de você admitir, como se estivesse pensando: “Você só está esperando eu te mandar mensagem”.
E foi exatamente isso — 100%.

[Jamie Laing]
 E foi assim?

[Jessie J]
 Sim, sim. Foi exatamente isso. Eu fiquei tipo: “Meu Deus, desculpa”.
Eu até menti pra ele dizendo que tinha deixado de seguir por acidente. Mas depois de alguns meses acabei contando a verdade.
Enfim, a gente começou a conversar, e ele estava na Dinamarca, eu em Los Angeles, e obviamente eu estava passando por muita coisa. Eu queria ter certeza de que estava bem antes de viajar.
No dia em que eu deveria ir, peguei COVID. Passei o Natal sozinha. E eu estava tipo: “Vambora, baby”.
Foi tipo: aborto espontâneo, check. COVID, check.

[Jamie Laing]
 Natal sozinha e arrasando.

[Jessie J]
 Exato, 100%. Eu lembro que fiz a primeira chamada de vídeo com ele no dia 15 de dezembro, no dia em que descobri que estava com COVID.
Depois voei pra casa em janeiro.

[Jamie Laing]
 Certo.

[Jessie J]
 E eu estava acabada, parecia horrível.

[Jamie Laing]
 Totalmente nua.

[Jessie J]
 (risos) Sim, sim. Completamente nua, verde.
Tipo: “Se você consegue me aceitar assim, daqui pra frente é só melhora”.
Sem sobrancelhas… Deixa eu explicar isso: eu tenho pelos naturalmente muito claros.
Tenho que pintar a sobrancelha a cada três dias. Enfim…

[Jamie Laing]
 E tinha alguma ligação com a mídia?

[Jessie J]
 Ah, com certeza. Ele é o mais calmo. Nós somos opostos. Ele é paciente, super lógico, não pensa com emoção. Eu sou o contrário.

[Jamie Laing]
 Mas é isso, o yin e o yang.

[Jessie J]
 Exato.

[Jamie Laing]
 É isso que faz dar certo.

[Jessie J]
 Sim. Eu precisava disso. A paciência dele vai muito além do que eu consigo imaginar.

[Jamie Laing]
 Eu amo como você fala bem dele. Sempre exaltando seu parceiro. É o melhor.

[Jessie J]
 Mas deixa eu te contar como a gente se conheceu.
Eu cheguei em casa dia 1º de janeiro. No dia 2 nos encontramos.
Passei a virada do ano sozinha, no avião. Foi tipo: “Quer um pãozinho?”.
E eu pensei: “Sabe de uma coisa? Todo Ano Novo eu posso até tomar um Sprite com canudinho, sua danadinha. Bora!”.
E pedi outro pacotinho de pretzels.

[Jamie Laing]
 Indo pro bar do avião, fingindo estar doida. “Olha pra mim!”
Fazendo loucura no corredor.

[Jessie J]
 (risos) É, foram meses bem pesados. A vontade era só fazer qualquer coisa maluca sem motivo.
Mas enfim, lembro de pousar e pensar: “Graças a Deus estou em casa depois de tudo”.
O COVID não foi ótimo, mas também não foi horrível pra mim.
Eu fiquei grata, porque tanta gente perdeu pessoas queridas…
Cheguei, e a gente combinou de se encontrar no hotel Crimpfea. Eu estava suando, desfazendo as malas.
Ele disse: “Já cheguei”. Eu fiquei: “Meu Deus!”.
Eu desci e, sem exagero, estava tocando música de Natal.
Ele estava encostado no elevador, super charmoso, e eu não conseguia nem olhar nos olhos dele.
E olha que já falávamos todos os dias por semanas. Eu só conseguia dizer: “Oi, oi”.
Ele deve ter pensado: “Essa menina é completamente maluca”.

[Jamie Laing]
 Vocês se beijaram logo de cara?

[Jessie J]
 Não, não. Subimos pro quarto, porque eu não queria que as pessoas vissem.
Mas depois fomos ao Winter Wonderland. Era o último dia dele lá.
Estávamos andando e, no meio da multidão, ele simplesmente me beijou.
Eu fiquei: “Meu Deus, você é o cara”.
Porque ninguém faria isso, todos teriam medo. Eu até falei: “As pessoas estão olhando”.
E ele disse: “Não me importo”.

[Jamie Laing]
 Ele é uma lenda da porra.

[Jessie J]
 Traz ele aqui.

[Jamie Laing]
 Aqui está.

[Jessie J]
 Ele está embaixo da mesa. Ele é tão pequeno.

[Jamie Laing]
 Ele é tipo um mini-homenzinho.

[Jessie J]
 Reviravolta: ele tem 40 centímetros de altura.

[Jamie Laing]
 Quero dizer, a gente nem mencionou o fato de que você ganhou o Singer, aquele programa chinês que foi assistido por 1,2 bilhão de pessoas.

[Jessie J]
 Eu sei, a final foi, sim.

[Jamie Laing]
 E você ganhou.

[Jessie J]
 Sim, eu ganhei. É. E eu vou muito à China.
É como se fosse um outro universo, porque lá eles não têm as mesmas redes sociais. Então artistas podem existir de outra forma.
E é por isso que eu amo o Bridging the Gap. Fiquei muito feliz quando aquele show viralizou fora de lá, porque as pessoas ficaram tipo: “O que é isso?”.

[Jamie Laing]
 Então você tem uma conta de rede social lá? Quantos seguidores tem?

[Jessie J]
 Não sei. Não presto atenção.

[Jamie Laing]
 Ah, qual é.

[Jessie J]
 Sabe de uma coisa? Fiz um print do meu Instagram outro dia e minha irmã me mandou mensagem dizendo: “49 milhões de pessoas entraram na sua página”.
E eu fiquei: “Meu Deus, não sabia que aparecia isso”.
É uma loucura. Muita, muita gente vindo ver eu cantar.

[Jamie Laing]
 E também um programa como o Singer. Isso por si só já…

[Jessie J]
 Sabe qual era o formato?

[Jamie Laing]
 Bem, imagino que seja um programa de canto, certo?

[Jessie J]
 Sim. Só que eu não sabia que ia ser concorrente. Eu me inscrevi meio no impulso.
Eu estava no estúdio escrevendo Rose, meu quarto álbum que ninguém sabe que existe. Agora você sabe.

[Jamie Laing]
 E esse é o nome da sua mãe, certo?

[Jessie J]
 O nome da minha mãe é Rose.

[Jamie Laing]
 É.

[Jessie J]
 E o álbum significa Realizações, Obsessão, Sexo e Empoderamento. São quatro blocos. E é o meu favorito.
Eu amo esse álbum. É o meu preferido. Esse, o primeiro e o novo.
São os três que eu mais amo entre todos que já fiz.
Eu estava no meio desse processo. Estava meio pra baixo.
Não estava bem. Estava deixando o cabelo crescer, então parecia a Kris Jenner saindo do chuveiro.

[Jamie Laing]
 (risos) E parecia um microfone estranho.

[Jessie J]
 Na real, eu parecia um boneco de Lego. Não estava nada legal. Era tipo: “Arranca fora isso!”.
Enfim, eu estava meio escondida. E meu empresário na época falou: “Quer fazer esse programa de TV?”.
E eu pensei: “Quer saber? Me inscreve logo”.
Ele: “A gente nem sabe direito o que é”.
E eu: “Inscreve de qualquer jeito. Eu vou. Pego um voo e faço o que for”.
Então fui achando que era convidada.
E na real eu era concorrente. Fiz 13 episódios.
E eu não entendia nada do que diziam, porque todo mundo falava em chinês, mandarim.
Então foi assim: ok… me deram um tradutor.
Na primeira semana eu cantei Domino.
Na segunda, I Have Nothing. Viralizou.
Na terceira, não lembro agora… acho que Luther Vandross ou algo assim.
E aí toda semana eu ficava. E pensei: “Ok, isso vai ser uma coisa mesmo”.

[Jamie Laing]
 Acho que isso está acontecendo.

[Jessie J]
 Acho que isso está acontecendo. E foi uma votação ao vivo. Foi tipo… foi uma coisa mesmo. Não foi qualquer coisa, foi loucura.

[Jamie Laing]
 Mas, mas, é que só…

[Jessie J]
 Mas todos no programa eram enormes. Artistas já estabelecidos.

[Jamie Laing]
 Sim.

[Jessie J]
 Então tinha, tipo, Hua Hua, Wang Feng… artistas gigantes que fazem shows para 50, 60 mil pessoas.

[Jamie Laing]
 É tipo o auge, é o ultimate show de talentos.

[Jessie J]
 É um dos maiores programas de música do mundo.

[Jamie Laing]
 Mas também porque todo mundo já é bem-sucedido por conta própria.

[Jessie J]
 Queria que fizessem isso aqui.

[Jamie Laing]
 Sim, é…

[Jessie J]
 Tentei trazer pra cá, mas acho que ninguém toparia.

[Jamie Laing]
 Ganhar aquilo só mostra o quão incrível é a sua voz.

[Jessie J]
 Quer dizer, eu só…

[Jamie Laing]
 Pode falar.

[Jessie J]
 Eu trabalho muito, mas foi realmente lindo cantar músicas que… não me citem nisso, mas eu acredito que Purple Rain nunca tinha sido apresentada na TV deles. E poder levar isso, cantar minhas músicas favoritas com uma orquestra… foi simplesmente incrível. Foi muito divertido.

[Jamie Laing]
 Fico tão feliz que você está de volta com a música, de verdade. Tipo, antes de tudo, sou fã. Mas além disso…

[Jessie J]
 Sim.

[Jamie Laing]
 Quero dizer, você é uma lenda, cara.

[Jessie J]
 Obrigada.

[Jamie Laing]
 Não, sério. Você é, 100%. Obrigado por fazer isso. Sei que você já fez muita coisa, e agradeço muito.

[Jessie J]
 Pra ser sincera, já não tenho mais nada pra contar. Só que sou alérgica a avelã. Acho que é a única coisa que ainda não contei.

[Jamie Laing]
 Esse é o nosso grande furo!

[Jessie J]
 Comi sem querer recentemente. Foi horrível.

[Jamie Laing]
 Ok, você tem razão.

[Jessie J]
 Até mais, até mais.

[Jamie Laing]
 Então nada de Nutella, amiga da Jemima.

[Jessie J]
 Nada de Nutella, nada de Kinder Bueno.

[Jamie Laing]
 Vamos para um rápido “ping pong”: oito perguntas. Preparada?

[Jessie J]
 Preparada.

[Jamie Laing]
 Uma frase que te faz sorrir ou te anima?

[Jessie J]
 “Se não está tudo bem, é porque ainda não chegou ao fim. Porque no fim, tudo vai ficar bem.”

[Jamie Laing]
 O melhor elogio que já recebeu?

[Jessie J]
 “Seios incríveis.” Não, não, espera… várias coisas. Acho que o melhor foi me dizerem que sou engraçada. Isso é um baita elogio.

[Jamie Laing]
 É o melhor, né? O que mais te assusta em você mesma?

[Jessie J]
 Minha imaginação super sensível.

[Jamie Laing]
 Quando foi a última vez que você chorou?

[Jessie J]
 Hoje de manhã, no banho. Você não quer saber por quê. Aí meu filho fez cocô no tapete, bem na porta. Eu estava nua, cheia de sabão, abri a porta e lá estava aquele vapor e… bosta quente.

[Jamie Laing]
 Você pegou com a mão?

[Jessie J]
 Tive que pegar. Depois voltei pro banho.

[Jamie Laing]
 E chorou mais um pouco.

[Jessie J]
 E comi… não, não, não! (risos) Só amo tanto ele. Tipo: “Vem cá, bebê, te dou até merda se quiser. Sorvete de chocolate em mim…” Não, eu não comi!

[Jamie Laing]
 Algo de que você não consegue desapegar?

[Jessie J]
 Do fato de que meu segurança, Dave, não me ligou antes de decidir deixar este mundo. Odeio isso. Foi a primeira coisa que veio à minha cabeça.

[Jamie Laing]
 Qual é o seu guilty pleasure?

[Jessie J]
 Reality show.

[Jamie Laing]
 Boa. O que te brocha?

[Jessie J]
 Má higiene.

[Jamie Laing]
 E o que te excita?

[Jessie J]
 Uma despensa organizada. Tipo, alinhe os rótulos pra frente, seu safado.

[Jamie Laing]
 Literalmente, sim. Você entra lá…

[Jessie J]
 E tá tudo organizado, sim.

[Jamie Laing]
 O que você mais gosta em si mesma?

[Jessie J]
 Minha perspectiva.

[Jamie Laing]
 Última: palavrão favorito?

[Jessie J]
 Não sei… talvez “merda”.

[Jamie Laing]
 É um bom xingamento.

[Jessie J]
 É sim.

[Jamie Laing]
 Jessie J, você é a melhor.

[Jessie J]
 Muito obrigada! Obrigada por me receber. Foi divertido.

[Jamie Laing]
 Foi muito mesmo, não foi?

 

 

 

 

Jessie J: “Posso pagar minhas contas, estou feliz. Não preciso ser uma popstar gigante e monstruosa”

Para a cantora e compositora Jessie J, que já vendeu milhões de discos, este verão deveria marcar um retorno triunfante. Depois de alguns anos longe dos holofotes, a mulher cuja carreira começou de forma estratosférica com Do It Like a Dude (2010) e Price Tag (2011) lançou em abril o single No Secrets. Paradoxalmente, ela própria guardava um segredo bem grande.

Pouco antes do lançamento do single, enquanto estava deitada na cama, Jessie — nome verdadeiro Jessica Cornish — notou um caroço no seio direito. A mamografia e o ultrassom não mostraram nada, mas os médicos decidiram fazer uma biópsia mesmo assim. Era câncer de mama.

O diagnóstico de carcinoma ductal in situ (CDIS) foi precoce o suficiente para poupá-la da quimioterapia e da radioterapia. Mas o tumor era relativamente grande, com 5 cm, o que tornou necessária uma mastectomia completa, em vez de uma cirurgia mais conservadora.

Quatro semanas após a cirurgia, Cornish chega a um restaurante no oeste de Londres, usando uma camiseta branca da Acne com jeans Levi’s, cabelo escuro preso para trás em um coque. “Oi, sou a Jess”, diz calorosamente, antes de tirar o casaco vintage da Burberry e fazer uma careta ao arrancar um curativo do braço, após um exame de sangue naquela manhã.

Não é do seu feitio guardar silêncio, então promover No Secrets sabendo que tinha câncer de mama foi difícil. “Eu queria contar às pessoas, mas também sabia que precisava de um momento para entender o que era”, diz ela. “Eu não sabia a gravidade até que todos os exames fossem feitos.”

Quando revelou o diagnóstico no Instagram, em junho, ficou impressionada com o apoio recebido — mas também recebeu opiniões não solicitadas de estranhos. “As pessoas me mandavam mensagem dizendo: ‘Não coloque implantes grandes’”, conta, revirando os olhos. “Como se isso fosse cirurgia estética — é uma mastectomia. Consegui preservar o mamilo, mas está tudo dormente agora. E quando me abaixo, parece que tenho uma sacola plástica no peito porque dá pra ver as rugas.” Ela suspira e estica o braço direito acima da cabeça. “Não é nada estranho — a fisioterapeuta disse que preciso manter esse braço em movimento.”

Os pais de Cornish, Rose, professora, e Stephen, assistente social, a criaram na divisa entre East London e Essex. Aos 16 anos, ela entrou na Brit School de artes cênicas, formando-se no mesmo ano que Adele, e estourou nas paradas com a provocante Do It Like a Dude. Price Tag chegou ao nº 1 em pelo menos oito países — e ganhou nova vida este ano ao viralizar no TikTok. Ela já vendeu 23 milhões de discos e coescreveu sucessos para outros artistas, como o hit Party in the USA, de Miley Cyrus. Basta assistir à sua apresentação de Bang Bang no American Music Awards de 2014 para ver Taylor Swift cantando junto com entusiasmo.

Mas o último álbum de Cornish, ROSE (2018), não teve o desempenho esperado. “E meu último single foi em 2021, quando eu ia lançar um álbum, mas não decolou”, diz com franqueza. “Olha, tenho muita sorte de ter tido todo o sucesso que tive, e é isso que me mantém agora. As pessoas às vezes projetam em você o que acham que o seu sucesso deveria ser. Mas, na verdade, eu posso pagar minhas contas, estou feliz, tenho equilíbrio. Amo o que faço. Não preciso ser uma popstar gigante e monstruosa.”

Depois de uma década morando em Los Angeles, Cornish voltou recentemente para o Reino Unido e está alugando um imóvel no oeste de Londres enquanto decide onde se estabelecer. “Voltar é algo muito importante para mim, assim como lançar música aqui novamente”, diz. “Sempre fui aberta sobre o distanciamento que tive da mídia no início e como isso contribuiu para eu ter dificuldades com a fama. Existia essa narrativa, talvez criada na minha cabeça, de que o Reino Unido não gostava de mim.”

O público britânico tende a abraçar estrelas pop com um pouco de insolência e descaso — pense no jeito arrogante de Liam Gallagher ou na atitude ‘brat’ de Charli XCX. Cornish, com sua energia intensa e sorriso enorme, talvez tenha sido entusiasmada demais, ansiosa demais para entreter. Uma crítica de 2011 no site Pitchfork a acusou de não ter a sutileza e a contenção de sua ex-colega Adele. Mas sutileza e contenção não são quem ela é.

Olhando para trás, ela gostaria de dizer à Jessie mais jovem e hiperativa para se acalmar. “Quero abraçá-la e dizer para respirar fundo”, diz. “Quando eu era jovem, havia muito medo e insegurança e eu não tinha mecanismos para me acalmar.”

As coisas agora são diferentes. Aquele single de 2021 que não emplacou? Se chamava I Want Love. “E então conheci meu namorado e tivemos um bebê”, conta, sorrindo. A tela do celular mostra seu filho de dois anos, Sky, cujo pai é Chanan Colman, ex-jogador e atual treinador de basquete profissional dinamarquês. Quando nos encontramos, Sky estava na Dinamarca com o pai por duas semanas, dando a Cornish um tempo para se recuperar. “Sinto tanta falta dele”, diz. “Ele é a luz da minha vida.”

O câncer de mama pode ter sido um golpe inesperado, mas ela diz estar acostumada a surpresas. Na infância, foi diagnosticada com síndrome de Wolff–Parkinson–White, que acelera os batimentos cardíacos. Sofreu um pequeno derrame na adolescência e, em 2020, esteve em um acidente de carro que lesionou sua laringe, impedindo-a de cantar por um ano.

No Secrets foi escrita após um aborto espontâneo e fala sobre expor suas emoções — assim como ela está fazendo agora, ao compartilhar seu diagnóstico e tratamento nas redes sociais. “Algumas pessoas ao meu redor disseram que eu não deveria expor tanto”, diz Cornish. “Mas, para mim, isso seria carregar um peso. Esse é o meu propósito. Eu passo pelas coisas para poder apoiar outras pessoas. É maior do que eu.”

Mas, como qualquer pessoa que já passou por tratamento de câncer sabe, as emoções podem oscilar entre conseguir lidar com tudo em um momento e chorar incontrolavelmente no outro. “Outro dia”, conta, “minha mãe estava massageando meu peito para mim, porque não consigo tocar nas cicatrizes. E eu comecei a chorar: ‘Não acredito que isso aconteceu’. Ela disse: ‘Queria que fosse comigo’, e então eu chorando, ela chorando…” Ela pausa, recompõe-se e acrescenta: “Ainda bem que não foi com ela.”

Logo após o nascimento de Sky, Cornish foi diagnosticada com TDAH. “Ninguém ficou surpreso”, diz, sorrindo. “Não tenho filtro. Me convidaram para participar do Big Brother e toda a minha família disse: ‘Nem pensar!’ Eu contaria tudo para todo mundo.”

Ela fala rápido, mudando de assunto de repente. Sua mãe está hospedada com ela, e as duas têm feito uma limpa na casa. Organizar as coisas acalma sua mente. “Algumas pessoas correm, outras desenham, eu me desfaço de coisas”, diz, rindo, antes de anunciar de repente: “Toda vez que tem lua cheia, tenho muita vontade de raspar a cabeça! Minha mãe precisa me impedir.”

Em 2018, Cornish participou da sexta temporada do Singer, um programa musical de TV na China. Quando recebeu o convite, estava se sentindo para baixo. “Eu estava prestes a fazer 30 anos e não sabia o que fazer da minha vida”, lembra. “Eu amo a China, então disse sim, e meu empresário perguntou: ‘Quer saber no que isso realmente envolve?’ Eu disse: ‘Não! Eu vou.’”

Ela chegou a Changsha, Hunan, sem saber que era uma competidora. “Achei que ia apenas como convidada”, admite. “Foi uma reviravolta — mas acabou sendo uma das melhores experiências da minha carreira.” Aceitar algo assim de forma impulsiva é bem típico do TDAH — e, talvez, até um pouco ‘brat’. De qualquer forma, Cornish acabou se tornando a primeira participante não chinesa a vencer o programa, com cerca de um bilhão de espectadores assistindo à final ao vivo.

Hoje, ela está longe do cenário frenético e se recupera da cirurgia de câncer de mama, o que adiou o lançamento de seu sexto álbum para o final deste ano. O relatório de patologia após a mastectomia mostrou que os médicos removeram todo o câncer, então ela está cautelosamente confiante. “As pessoas pensam que, depois de receber o ‘tudo limpo’, está tudo resolvido”, diz. “Mas ainda tenho outra cirurgia [para melhorar a simetria entre os seios] e preciso me curar, então preciso definir como será o resto do ano.” Quanto ao medo de o câncer voltar, ela é pragmática: “Há uma chance de um em dois”, diz, citando a estatística válida para todos no Reino Unido.

Parte dela acha que o câncer veio para lembrá-la de cuidar de si mesma ao retornar ao mundo de alta pressão do pop. “Talvez isso tenha acontecido para dizer: desacelera, garota, vamos fazer uma pequena reavaliação”, diz. Coincidentemente, sua nova música parece falar exatamente sobre o que ela está vivendo. “É estranho”, diz, acenando com a cabeça. “A próxima música se chama Believe in Magic e escrevi em 2022, quando estava grávida. Mas a letra se encaixa muito com agora: ‘Se eu morrer hoje / quero saber que consegui / é um desperdício ficar amargurada / veja todas as pequenas coisas que curam um coração partido’.”

Cornish está curtindo ser Jessie J novamente. Cantar para 80 mil pessoas no Summertime Ball em Londres — uma semana antes da mastectomia — foi um ponto alto, e ela está animada para um grande show em setembro, no Radio 2 in the Park, em Chelmsford.

Mas ela também ama apresentações menores, onde pode realmente ver e falar diretamente com seu público. “Desde criança, sempre amei me conectar com as pessoas”, diz. “Tudo o que passei, seja um aborto espontâneo ou câncer de mama, aprofunda minha experiência para me conectar com mais gente.” Ao encerrarmos, ela me conta, com sua franqueza característica, que está indo comprar sutiãs pós-mastectomia. Quando ela diz que mais sucesso na carreira não importa, normalmente eu ficaria cético — mas nela, eu acredito.

“Obviamente é ótimo conquistar coisas”, diz, dando de ombros. “Mas se eu morrer amanhã, não vai importar em que posição minhas músicas chegaram nas paradas. O que importa é como eu fiz as pessoas se sentirem.”

Believe in Magic será lançada em 29 de agosto.

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